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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

06
Fev18

Quando a carência ESCREVE mais alto

Aqueles momentos de carência em que uma pessoa tem a diarreia mental de acordar fantasmas adormecidos.

 

15:58 - ir ao instagram dele pela 14.350 hoje

15:59 - ver que ele postou uma nova fotografia

16:00 - pensar em perguntar-lhe se quer fazer qualquer coisa no carnaval

16:01 - também qual é o mal, já passou tanto tempo e até nos divertíamos...

16:04 - hm...mas não falo com ele há tanto tempo agora vou mandar assim uma mensagem com um convite destes...

16:05 - perguntar a todos os amigos online sobre o dever ou não dever enviar mensagem e conteúdos

16:06 - reler conversas passadas com a pessoa para me relembrar o porquê dela não fazer parte da minha vida actualmente

16:07 - desvalorizar e achar que fui demasiado drástica, exagerei, fiz um drama e que no fundo aquilo nem foi nada e ele ate é bom rapaz

16:08 - desvalorizar os amigos que não concordam que mande mensagem e pedir algumas hipóteses aos que concordam

16:09 - não concordar com nenhuma ideia

16:10 - sentir a pressao de ter de inventar alguma coisa que pareça natural

16:11 - pensar em mandar só à noite, depois de uma garrafa de vinho

16:12 - não, se calhar é  melhor aproveitar que estou com coragem agora

16:13 - ouvir musicas encorajadoras enquanto escrevo os primeiros esboços

16:14 - tentar escrever coisas curtas e direitas ao assunto

16:15 - vá lá, tu consegues...

16:16 - apagar e escrever 5 vezes a mesma coisa

16:17 - ler em voz alta e parecer parvo

16:18 - escrever rápido e fazer "enviar" ainda mais rápido

16:19 - reler e achar vergonhoso e patético e humilhante

16:20 - esperar que seja imediatamente recebida\lida\respondida pelo menos

16:21 - verificar que nem sequer foi recebida

16:22 - começar a espalhar o arroz e a ajoelhar-me para a penitencia...

16:23 - suar do buço e tentar que ninguém perceba

16:24 - sentir a primeira pinga de suor a escorrer desde a axila até à dobra da camisa

16:25 - decidir arquivar a conversa para não estar de 3 em 3 segundos a ver se fui ignorada com sucesso

16:30 - espumar da boca

16:45 - encher o chat dos amigos com lamurias como se o mundo fosse acabar

16:46 - os amigos nem sequer lêem porque já não tem paciência para a mesma conversa

16:47 - pensar que ninguém me ama e estou sozinha no mundo

16:48 - pensar em quantas cervejas tenho no frigorífico

16:49 - pensar em ir sair à noite numa terça-feira

16:50 - pensar em comprar sushi, nutella e batatas com sabor a presunto e comer tudo ao mesmo tempo no sofá com a manta nas pernas

17:00 - comer o iogurte do lanche das 17:00 com 1,8% de gordura que sabe a leite azedo a ouvir "if it makes you happy" da Sheryl Crow

17:02: - ganhar nova esperança que ele responda devido à musica

17:05 - pensar que ele não merece o ar que respira e esperar que lhe caia o perseguido

17:06 - colocar o telemóvel em modo avião

17:07 - rezar para que ninguém com relevância me ligue até as 18:00

17:30 - tentar parecer que estou concentrada

18:00 - desejar morrer

18:01 - ir beber imperiais a 0,50€ na happy hour Da gare, porque o álcool cura tudo.

 

E é isto.

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