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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

15
Mai17

Não existem boas pessoas

Um dia numa sessão de coaching o grande senhor que me acompanhava perguntava-me:

 

"Porque és tão revoltada com as pessoas?"

 

E eu respondi "Porque parece que no mundo há 20% de pessoas boas para 80% de pessoas más".

 

Ele levanta-se, desenha no quadro um pie chart com as percentagens que referi e pergunta-me "E tu, em que grupo estás incluída?".

 

Ficámos a discutir a ideia uns minutos até que não chegando a conclusão nenhuma ele me diz:

"Não há pessoas boas e pessoas más"

 

Claro que me pus logo a pesquisar sobre o gene da malvadez para conseguir provar a minha teoria, e desde então tenho vindo a pensar sobre o assunto.

 

Encontrei então o documentário "A ira de um anjo". https://www.youtube.com/watch?v=8Bp-cgUQpbk

 

Fala sobre uma menina que foi negligenciada pela família e se tornou num ser "sem sentimentos", com dificuldade em causar empatia e por isso infligia dor ao próximo sem ressentimentos.

Ela foi adoptada por uma família que nunca desistiu dela e pelos vistos reabilitou-se.

Contudo, será isso possível num adulto?

 

E quanto ás pessoas boas?

Será que podemos definir uma pessoa boa como aquela que não causa intencionalmente sofrimento ao próximo? Seja animal, ser humano, meio ambiente?

Nunca nenhum de nós seria boa pessoa.

Se pensarmos nos animais, muitas vezes ouvimos que não existem animais maus porque eles não têm consciência e\ou intenção de provocar dor ao próximo, é apenas o instinto deles.

Nós humanos, tendo consciência dos impactos das nossas acções e intenção de as praticar podemos então, ao contrario dos animais, ser punidos por isso, a menos que sejamos considerados (lá está) inimputáveis como por exemplo são as pessoas com deficiência mental.

 

Agora para mim existem sim casos reabilitáveis e casos não reabilitáveis.

Em adultos imputáveis existem actos que para mim não há como não classificar e definir à partida o tipo de pessoa que é, ou se tornou.

Alguém que provoca dor e sofrimento a seres frágeis e inocentes que não têm forma de se defender para mim é uma pessoa má.

E aí, não tem como ser boa pessoa.

 

Mas e então, e na guerra?

 

Pois é, não é tão simples assim...

Desisto.