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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

18
Mai18

Facadinha no casamento?

Eram 04:00 da manhã e o meu telemóvel vibra.

Tenho sono leve e acordei, mas nem sequer lhe cheguei a mão para ver o que era.

Viro-me para o lado e durmo.

 

De manhã ao desligar o despertador e durante os breves segundos que ainda faço ronha na cama fui ver quem me tinha tentado contactar.

 

"Olá menina, vais sair hoje? Estou por Lisboa, diz qualquer coisa."

Mensagem enviada as 04:00 pelo Facebook.

 

Pestanejei e li novamente.

 

O Marco foi um rapaz que conheci em Braga durante o Enterro da Gata de 2011.

Estava a fazer Erasmus e uma das minhas colegas era de Braga.

Ainda antes de terminar o período de Erasmus viemos todos a Portugal para a benção\queima das fitas.

Tínhamos combinado que depois de celebrar a minha em Lisboa, iria ter com ela a Braga, e assim foi.

Aproveitei portanto, para, entre muitas coisas, conhecer o mítico Marco, o Don Juan da Universidade do Minho (risada).

 

Foi-me apresentado numa das primeiras noites em Braga ainda o Enterro não tinha começado, mas como estava a praxar uns caloiros na baixa não me ligou nenhuma.

Entretanto os dias foram-se passando e, quis o destino, nunca havia forma de o encontrar.

Até que na minha ultima noite em Braga....a magia aconteceu.

Conclusão, embrulhámo-nos, acabámos por dormir juntos e tudo, mas sinceramente, nem me lembro como foi ao certo.

Só sei que acordei numa sala dentro de um saco-cama com mais 4 casais a dormir ao nosso lado.

Supostamente o apartamento pertencia à associação de estudantes da qual o Marco era presidente.

 

Acordei com a maior ressaca e vergonha alheia deste mundo e a única coisa que fiz foi ligar à minha boleia que me levaria à estação dos comboios e até acho que nem me despedi dele e zarpei do prédio o mais rápido que consegui, até porque não convinha perder o comboio.

 

Desde esse dia, nunca mais o vi, nem nunca mais falámos.

Umas semana depois soube através da minha amiga que se tinha apaixonado perdidamente por uma caloira.

Caloira essa com quem casou e teve uma menina.

 

Ficámos amigos no Facebook desde o dia que nos conhecemos e, apesar de nunca falarmos através de chats ou algo assim, trocamos uns likes de vez em quando.

 

Confesso que não sendo especial adepta de partilhas de bébés e coisas de famílias, ele é dos poucos que gosto das partilhas que faz com a mulher e com a filha.

Estão juntos há muitos anos, apoiam os projectos pessoais e profissionais um do outro, tiram fotografias lindas, mostram uma cumplicidade simples e de meter inveja.

Além de serem os dois muito bem parecidos.

 

Digamos que das famílias que tenho no meu Facebook esta está no top 3 das perfect families.

 

Quando li aquela mensagem, fiquei triste.

Por um lado, não gosto de considerar exclusivamente a hipótese booty call porque acho que tanto ele como eu somos mais do que isso, mas de facto, qual é a sustentação que existe na nossa relação para que passados tantos anos ele, no meio de uma estadia de trabalho, sozinho, em Lisboa, às 04h00 me quisesse ver?

 

Saudades? De quê? Nós nunca fomos amigos, nunca falámos.

A única coisa que fizemos foi sexo, presumo que seja disso que sinta falta, mas mesmo assim....só estivemos juntos uma vez, é o que? O facilitismo? Por ser a única lisboeta solteira (e disponível) que ele conhece?

 

Não gostei e não respondi.

God, fico desacreditada das relações sabem?

Se ele queria ver-me, para conversar suponhamos, dir-me-ia mais cedo que ia estar em Lisboa, ou pelo menos contactaria-me durante o dia.

Ele não queria ver-me, ele queria dar uma escapadela no casamento.

 

p.s. - homens traem, mulheres traem, não é aceitável de nenhuma das partes. E sim, nunca vou saber se de facto ele me queria ou não saltar para cima por isso este texto é apenas um desabafo baseado única e exclusivamente nas minhas suposições.

 

Beijos!

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