Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

24
Mai17

Cortar o cordão umbilical - O luto dos pais vivos

Há momentos na minha vida que me pergunto...será mais difícil fazer o luto de alguém morto ou de alguém vivo?

 

É tão difícil deixar a pessoa ir quando aquilo que nos prende a ela é tudo...

 

Falo no meu caso dos meus pais, mais concretamente do meu pai.

Houve uma vez alguém que me disse "Se não fizeres o luto dos teus pais e cortares de uma vez por todas o cordão umbilical nunca vais descansar"

 

E têm razão.

A minha família consome-me, prende-me demasiado.

Não conseguem ter um vinculo comigo saudável e respeitar o meu espaço.

Quando saí de casa deles e lhes dei uma copia da chave da minha casa (para caso acontecesse algo) ainda lhes tive de explicar (porque não entendiam) que deviam avisar antes de irem lá a casa e para não entrarem sem tocar.

 

"Mas tens alguma coisa a esconder?", bom só lhes disse "Podem sempre ver alguma coisa que não gostem".

Amuaram.

 

Não entenderam. Houve discussão, houveram dias sem falar, até que o assunto passou a tabu e pelos vistos ficou entendido.

ATENÇÃO, os meus pais têm 50 anos!

Mas é sempre uma guerra, é sempre um sofrimento porque simplesmente não concordamos em NADA.

Sempre foi assim.

 

É porque gosto de animais, é porque sou vegetariana, é porque só quero namorar e não quero casar, é porque gosto de sair à noite...

 

Há um ano atrás decidi vir trabalhar com o meu pai. EPIC FAIL.

Não sabe e não consegue distinguir a função de pai da função patrão.

Tenho momentos na empresa (inclusive à frente de outras pessoas) em que ele me manda calar....

CALAR!

Não há nada que tenhamos em comum.

Não concordamos em nada.

Nunca concordámos.

Além disso sou mulher, que trabalheira que dá uma mulher na cabeça de um machista.

A minha mãe é um pouco mais fácil de gerir porque como também sofre com o machismo dele entende-me, mas o meu pai desgasta-me, deixa-me frustrada.

É demasiado ditador, controlador.

 

E o pior é que por nunca concordarmos, sinto que procuro a aprovação dele, e que nunca vou ter porque ele simplesmente Doesn't give a shit.

Tenho de perceber que nunca vou ouvir um "Boa filha" "O pai tem orgulho de ti" "Está bem feito" ...

Não quer saber de sentimentos, quer é resultados, "É a tua obrigação".

Acho que vou ter mesmo é de deixar de trabalhar com ele e seguir a minha vida para que, nem ele sinta que sou um fardo, nem eu me sinta desvalorizada.

 

Li também que a nossa família é escolhida nesta vida para resolver problemas de vidas passadas.

Penso que ainda não é desta que as coisas se resolvem...