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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

11
Nov16

Como parar de me importar com quem não se importa comigo?

Uma das coisas que para mim na vida mais custa é largar o apego.

Isto acontecia-me tanto na amizade como no amor.

Quando eu digo "acontecia-me", não quer dizer que já não aconteça contudo eu controlo muito melhor a forma como me afecta.

 

O ideal que sigo é: "Nunca devo ou posso cobrar nada a ninguém, muito menos a sua atenção".

 

Há pessoas que simplesmente não são como eu. 

Cobrava tanto das pessoas que muitas vezes, por não ser retribuída, decidia "cortar o mal pela raiz" e nunca mais lhes falar.

Tantas relações que terminei assim e para quê?

Isso não me fazia ficar melhor e acima de tudo não me fazia aprender.

 

Então,  o que fazer quando damos tanto de nós a uma pessoa que na realidade não se interessa assim tanto?

 

Ponto 1 - Dar sem esperar receber.

O que quero dizer com isto é, não precisas cortar relações com alguém só porque ele/ela não te paga na mesma moeda.

Dá o que consideras que deves dar e não cries expectativas relativamente ao que podes obter da outra pessoa.

Analisa bem sempre que estás a dedicar-lhe tempo, se o estás a fazer porque queres ou "para a agradar"/"para lhe fazer o favor".

Se estás feliz ou em esforço.

Se tirares algo de bom para ti do tempo que partilham vai ser mais fácil não pedir nada em troca.

Ao contrário, se fizeres só para lhe fazer a vontade, porque por ti não farias, de certa forma aumentas a probabilidade de, quando fores tu a precisar e a pessoa não estiver lá, te desiludires de novo.

 

Ponto 2 - Dá espaço de reacção.

Não podes dizer que a pessoa não tentou se não lhe dás espaço para isso.

Muitas amigas minhas desabafam comigo que os rapazes com quem elas saem não as convidam para sair, mas muitas vezes, isso não acontece porque elas não dão espaço para isso.

Em tudo na vida, o tempo é um bom aliado. 

Fica um tempo sem tomar a iniciativa e vê se a pessoa toma.

Fica um tempo sem falar de ti e deixa que a pessoa te pergunte como estás.

Mas quanto tempo? Isso cada um tem o seu limite. Mas se nunca tentares esperar, nunca saberás se valeu a pena.

 

Ponto 3 - Olha para ti.

Se os outros não querem saber de ti, sabe tu. 

Aproveita o tempo que perdes a pensar na outra pessoa e pensa em ti, pensa no que podes fazer para te tornar melhor pessoa.

Aprende, faz workshops improváveis, desafia-te.

O que te apetece fazer hoje que podes fazer sem ele/ela?

Ler livros, olhar as pessoas na rua, pintar, costurar, desenhar, fazer voluntariado, escrever, passear o cão...tanta coisa.

E há outra vantagem em apostares em ti durante o período de "abandono", é que podes sempre descobrir no final, que a pessoa que tu tanto consideravas, afinal não está no nível evolutivo que pensavas e que simplesmente não te interessa mais.

 

Ponto 4 - Coloca a pessoa no lugar que ela conquistou.

Se pensarmos nisto como um jogo é mais fácil.

O que a pessoa fez para merecer um lugar tão especial na tua vida?

O que te fez de bom e de mau?

O que melhoraste desde que lidas com ela?

O tempo é algo muito precioso, só deves dedicá-lo a quem realmente merece. E quem fez por merecer.

Eu tenho muitas vezes este raciocínio por exemplo com os meus pais. 

Eles dedicaram uma vida inteira a tomar conta de mim, estão sempre no topo das minhas prioridades, mesmo que me apeteça mais ir para a praia que ir com eles comprar moveis para a sala.

Mesmo em fases complicadas da relação com eles tento sempre nunca dizer-lhes "Não" porque para mim, a divida que tenho com eles é muito maior do que aquilo que lhes posso dar. 

Então porque para as outras pessoas sou tão benevolente?

Há pessoas que não falam ou vêm os pais/família há imenso tempo e depois andam atrás de quem não lhes dedica nada.

 

Ponto 5 - Valoriza-te.

Não te contentes com migalhas.

Nunca deixes ninguém fazer-te sentir inoportuna, inapropriada, inferior, insuficiente.

Deves ter à tua volta pessoas que cuidam de ti e que te façam sentir bem. Viva.

Não te deves sentir um fardo para ninguém. Tu não és um fardo. 

Tens muito para dar a quem queira receber.

Não podes é continuar a bater à mesma porta e esperar reacções diferentes.

 

No final de tudo o importante é saber que deste o melhor de ti e tentaste ser feliz, mas que a pessoa não estava preparada para receber o que tinhas para dar.

 

Às vezes desiludimo-nos porque não nos conhecemos. Não sabemos o nosso limite.

Ninguém nos pode fazer sofrer se nós não permitirmos.

Doi? Obvio que doi. Há momentos em que vais adormecer a chorar e acordar a chorar.

Vão haver momentos em que te vais desiludir como nunca pensaste, mas faz parte passar por isso para que se aprendam coisas, se tirem lições.

A vida é uma viagem de autodescoberta para quem te a coragem de tentar.

E tentar passa por cair e reerguer-se.

Desilusão faz parte.

 

Beijinhos,

Podenga

 

 

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