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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A fugir das drogas - Parabéns amigo

"Não foi fácil acordar dia 29 de Março.

Lembro-me de ti todos os dias, tenho de me esforçar para não ser todas as horas.

Fazes anos e eu não estou contigo.

Pior.

Não estás com ninguém que amas.

Estás longe de tudo e de todos.

Mas o Drug Treatment é para o teu bem."

 

Nunca tive uma ligação assim com ninguém.

É certo que a base da nossa relação não era saudável, mas havia qualquer coisa que transcendia isso.

Sinceramente, ainda não sei o que é, e não sei se algum dia vou querer saber.

 

As nossas conversas.

A nossa "incubadora" como lhe chamávamos.

Eram horas e horas, construíamos e descontruiamos argumentos.

Tivemos suficientes para duplicar Bollywood.

 

Era uma ligação que se via.

 

Um carisma que nos consumia quando nos juntávamos.

Sozinhos éramos inofensivos, mas juntos éramos o terror.

 

As pessoas dizem que ele piorou desde que me conheceu.

Aumentou o consumo, aumentou as doses e as vezes que o fazia.

As pessoas diziam-nos "têm de tirar férias um do outro".

 

Chegavam a ser 3 noites sem dormir, mantendo toda a nossa vida a decorrer normalmente.

Uma vez cheguei a adormecer no trabalho, em frente ao ecrã.

Emagreci 7 kg.

Cheguei aos 56 kg e eu meço 1,73 cm.

Cheguei a perder a noção da realidade, a alucinar, em frente a pessoas, em locais públicos.

 

Lembro-me que uma vez publiquei uma fotografia no Instagram e imediatamente recebi duas mensagens de duas amigas a perguntar se estava tudo bem.

Na altura até levei a mal e não entendi porque estavam sempre a chatear-me por causa do aspecto.

 

"Que aspecto?!"

 

E eu não via as olheiras que tinha, simplesmente não conseguia ver que o meu aspecto transparecia a vida que andava a viver.

 

Não via.

 

As pessoas comentavam, mas nunca me confrontavam.

Eu também não disfarçava e fui tendo mais cuidado desde que os meus pais desconfiaram.

 

Cheguei a adormecer ao volante e o Rodrigo também.

Rebocarem-me o carro, assaltos, denuncias à policia....expulsos de sítios.

Tudo!

 

Até em escutas telefónicas tivemos envolvidos.

Chegamos ao ponto de só usar o Telegram porque o Whatsapp tinha comportamentos estranhos.

Conheci mais gente neste ano do que na minha vida toda.

 

Mas acima de tudo conheci-me mais a mim neste ano do que na vida toda.

Tive momentos muito bons e muito maus.

Lambi o a terra do chão e comi caviar no céu, num período muito concentrado.

Parece que vivemos todos a mesma história no mesmo período.

 

Desde que o Rodrigo foi internado que parece que os grupos se desfizeram.

Parece um dominó.

Falta uma peça desfaz-se tudo.

 

O consumo alterou-se, as pessoas posicionam-se de forma diferente, ganham novos hábitos e as coisas mudam.

 

Para melhor.

Estamos todos muito melhor.

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