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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

23
Fev18

A canção que escrevi à Carrie

Menina bonita 

de saia catita

por onde andas tu

quem és?

Estarás de visita

só para ver a vista

e visitar estaminés?

 

Não sei para onde foste

nem o que levaste

mas muito deixaste aqui

o teu cheiro fresco

sabor a refresco

laranja, manga e kiwi

 

Se um dia voltares

convém avisares

que farei para cá estar

trarei apetrechos

que troco por beijos

se quiseres negociar

 

Mas mesmo sem nada

nem mão apertada

assumirei quem eu sou

um feliz contente

que estive presente

e mais uma vez te avistou.

 

Podenga,

Com muito orgulho.

22
Fev18

Quando amigas seguem caminhos diferentes

Não há nada para dizer.

Nada para discutir.

Nenhuns is para serem colocados pontos.

É um afastamento silencioso por fora, mas ruidoso por dentro, como um velcro a descolar.

Não queremos deixar ir, mas não temos nada a que nos agarrar. É tudo sentimento de posse.

São amizades intensas, daquelas que mais parecem namoros.

 

Um silencio mais demorado pode causar um fosso tão grande entre ambas que nenhuma tem coragem de perguntar o que se passa.

Esse silêncio às vezes até é confundido com amuo.

Nós mulheres temos jeito para isso.

Mas na verdade, mesmo conversando, essas conversas já têm mais silêncios do que dialogo.

Já não temos nada para contar.

E quando temos, passamos mais tempo a falar sobre cada uma das nossas vidas do que a falar das experiências que temos juntas, porque essas já são poucas ou nenhumas.

Já não nos divertimos.

 

Começa a ser difícil combinar algum encontro, porque de repente, existem muitas incompatibilidades.

De repente, da mesma maneira que nos apaixonamos, nos desapaixonamos.

E é tramado aceitar isto.

É tramado desistir de alguém que faz parte da nossa vida há tanto tempo, que teve connosco em momentos cruciais da nossa evolução como pessoa.

Que nos tornou quem somos hoje.

Sentimo-nos até ingratas, por outro lado, desfalcadas.

Parece que andamos com um túmulo pendurado a nós, preso por um fio de pele tão fino que podíamos fácilmente partir, mas preferimos deixar partir por ele mesmo.

 

Não queremos fazer o luto dessa amizade.

Não queremos assumir que essa amizade morreu, ou que não tem mais a mesma intensidade.

Mas como nas outras relações, sou apologista que não se deve escavar nada.

Quando é assim, mais vale deixar como está.

Assim podemos deixar a pessoa ir em paz e nós também vamos em paz porque não houve nada de negativo neste afastamento.

Ao mesmo tempo deixamos sempre a porta aberta caso essa pessoa queira voltar a estar activa na nossa vida ou até pontualmente precisar de nós.

 

Amizades intensas nem sempre têm de ter finais dramáticos.

É importante congelar o carinho. Preservar o que é bom.

E no final, o respeito vai sempre prevalecer.

21
Fev18

Amores impossíveis

É quando eu condeno amores impossíveis que vejo que envelheci

por ter perdido a capacidade de contradizer a experiência que a vida nos passa

por ter perdido a capacidade de ver além do que a realidade mostra.

 

É quando eu condeno amores impossíveis que vejo que vendi a alma ao diabo

o amor que outrora era cego, agora vê bem demais 

vê até coisas irreais

que abrigam enredos de historias que nunca aconteceram

mas mesmo assim fazem doer.

 

É quando eu condeno amores impossíveis que vejo que alguém me fez muito mal

e fê-lo na medida ideal

não tão forte que me matasse, nem tão fraco que pudesse esquecer.

20
Fev18

Sei eu (poema)

Puxei-te para dançar e resististe

Tinhas-me visto nos braços alheios e não gostaste

e assim me castigaste

por não me saber comportar.

 

Mas quando a noite acabar

vais ser meu da mesma forma que os outros são

e sem ter aperceberes vais implorar para me ter

e nem sequer vais saber

onde tudo começou.

 

Por enquanto vou deixar-te acreditar 

que és tu quem tem o poder de decidir

para que que te possas sentir

mais homem

e perante os outros demonstrares a tua virilidade

só que a verdade

so eu quem sabe.

 

 

19
Fev18

O drama de ter um amigo homem

Já não sei se sou eu que tenho a mania da perseguição ou se de facto é difícil ter um amigo homem (heterossexual).

 

Eu como falo com toda a gente e recuso-me a aceitar que um homem só se possa aproximar de mim porque me quer saltar para cima, não deixo de responder a nenhum homem que fale comigo apenas porque é homem.

No entanto, há medida que os anos passam dou-me conta que é cada vez mais difícil manter uma relação de amizade com um homem, a menos que ele namore com alguma amiga (e mesmo assim...).

 

Mas também vamos la ver...o que distingue um namorado de um amigo?

Para mim é o tesão.

 

Eu quero envolver-me a um nível carnal com um namorado\amigo colorido\whatever mas não com um amigo.

É tão simples quanto isto.

Portanto, eu só posso considerar que um homem é meu amigo quando não o vejo a salivar a olhar para o meu decote!

Epa não dá!

 

É que depois o que mais me dá raiva é a vitimização desses gajos que depois de confrontados me fazem sentir mal como se fosse uma leprosa convencida.

 

"Achas?? Fogo nunca mais te toco bla bla bla..."

 

Do género....vamos sair para um bar onde há musica (suponhamos: reggaeton e tal...).

Se eu for com as minhas amigas eu vou dançar sozinha....porque raio é que os homens me estão sempre a esticar a mão?

EU NÃO QUERO DANÇAR AGARRADA!

És meu amigo, não és alguém que quero seduzir.

Ponto final.

 

E depois ficam com os olhos esbugalhados a bufarem e a abanarem a cabeça como se EU estivesse a ver coisas onde elas não existem.

Não,não é essa a reacção que um amigo tem quando uma amiga não quer dançar com ele.

Respeita.

 

E outra coisa, eu quando saio com as minhas amigas e elas estão a falar com homens eu não vou lá apresentar-me e meter o bedelho.

Isso é comportamento de quem quer marcar território.

É comportamento possessivo!

 

Não gosto, e não há amizades que resistam.

Gostava mesmo de ter um amigo homem com o qual pudesse aprender mais sobre comportamento masculino, mas parece que só me querem mostrar a parte prática (boa piada)...

 

Estou frustrada e cansada e recuso-me a ter "jogo de cintura" para manter ali os meninos "amigos" babosos tipo cachorrinhos à espera do biscoito.

 

Não gosto e não permito que se aproximem de mim sob a capa de amigos e usem essa posição privilegiada com segundas intenções que não foram alimentadas.

 

Posso ser eu que estou a ser muito ingénua, ou então que esteja a passar a mensagem errada, mas para mim nunca foi nem é fácil ter uma amizade masculina.

 

06
Fev18

Quando a carência ESCREVE mais alto

Aqueles momentos de carência em que uma pessoa tem a diarreia mental de acordar fantasmas adormecidos.

 

15:58 - ir ao instagram dele pela 14.350 hoje

15:59 - ver que ele postou uma nova fotografia

16:00 - pensar em perguntar-lhe se quer fazer qualquer coisa no carnaval

16:01 - também qual é o mal, já passou tanto tempo e até nos divertíamos...

16:04 - hm...mas não falo com ele há tanto tempo agora vou mandar assim uma mensagem com um convite destes...

16:05 - perguntar a todos os amigos online sobre o dever ou não dever enviar mensagem e conteúdos

16:06 - reler conversas passadas com a pessoa para me relembrar o porquê dela não fazer parte da minha vida actualmente

16:07 - desvalorizar e achar que fui demasiado drástica, exagerei, fiz um drama e que no fundo aquilo nem foi nada e ele ate é bom rapaz

16:08 - desvalorizar os amigos que não concordam que mande mensagem e pedir algumas hipóteses aos que concordam

16:09 - não concordar com nenhuma ideia

16:10 - sentir a pressao de ter de inventar alguma coisa que pareça natural

16:11 - pensar em mandar só à noite, depois de uma garrafa de vinho

16:12 - não, se calhar é  melhor aproveitar que estou com coragem agora

16:13 - ouvir musicas encorajadoras enquanto escrevo os primeiros esboços

16:14 - tentar escrever coisas curtas e direitas ao assunto

16:15 - vá lá, tu consegues...

16:16 - apagar e escrever 5 vezes a mesma coisa

16:17 - ler em voz alta e parecer parvo

16:18 - escrever rápido e fazer "enviar" ainda mais rápido

16:19 - reler e achar vergonhoso e patético e humilhante

16:20 - esperar que seja imediatamente recebida\lida\respondida pelo menos

16:21 - verificar que nem sequer foi recebida

16:22 - começar a espalhar o arroz e a ajoelhar-me para a penitencia...

16:23 - suar do buço e tentar que ninguém perceba

16:24 - sentir a primeira pinga de suor a escorrer desde a axila até à dobra da camisa

16:25 - decidir arquivar a conversa para não estar de 3 em 3 segundos a ver se fui ignorada com sucesso

16:30 - espumar da boca

16:45 - encher o chat dos amigos com lamurias como se o mundo fosse acabar

16:46 - os amigos nem sequer lêem porque já não tem paciência para a mesma conversa

16:47 - pensar que ninguém me ama e estou sozinha no mundo

16:48 - pensar em quantas cervejas tenho no frigorífico

16:49 - pensar em ir sair à noite numa terça-feira

16:50 - pensar em comprar sushi, nutella e batatas com sabor a presunto e comer tudo ao mesmo tempo no sofá com a manta nas pernas

17:00 - comer o iogurte do lanche das 17:00 com 1,8% de gordura que sabe a leite azedo a ouvir "if it makes you happy" da Sheryl Crow

17:02: - ganhar nova esperança que ele responda devido à musica

17:05 - pensar que ele não merece o ar que respira e esperar que lhe caia o perseguido

17:06 - colocar o telemóvel em modo avião

17:07 - rezar para que ninguém com relevância me ligue até as 18:00

17:30 - tentar parecer que estou concentrada

18:00 - desejar morrer

18:01 - ir beber imperiais a 0,50€ na happy hour Da gare, porque o álcool cura tudo.

 

E é isto.

05
Fev18

Erasmus, quem fez, sabe o que é.

Um dia escreveram-me uma carta de despedida

por cima do Douro a li

agarradinha, bem juntinha a mim

para que ninguém a pudesse ler senão eu

 

e cada palavra lida

uma lágrima contida

intercalada com um sorriso sofrido

de quem sente falta de um desconhecido

que agora que era querido

tinha ficado para trás

 

no coração pesava a angustia da saudade

dos tempos, que sabia, não iriam voltar

da idade, que não me permitia voltar a ousar

e do tempo, que agora verdadeiro, passaria a pesar

 

mas ao ouvir "Porto Sentido" percebi

que tudo aquilo que sentia

fazia parte do preço a pagar

pela loucura de provar

o sabor da liberdade.