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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

O estranho fenómeno da depressão pré-menstrual

Começo a ficar preocupada.

Há medida que os anos passam vou começando a ter sintomas de TPM que não tinha antes.

 

Uma delas é esta depressão e irritabilidade muito acentuada dias antes de ficar menstruada (digamos que a meio da pausa da pílula).

É como estar angustiada sem ter motivo. Estar triste sem saber porquê. Ficar sensibilizada com coisas que noutra altura não ficava.

 

Só me apetece chorar, fico irritada com tudo, começo a pensar sobre todos os problemas do mundo a cada minuto, começo a querer desaparecer, a questionar-me porque sequer nasci etc.

 

Já li que existe mesmo um tipo de depressão associada ao período menstrual, mas pensava que fosse um daqueles mitos urbanos.

Não, ele existe mesmo e eu sou a prova viva dele.

 

E depois ninguém AINDA sabe lidar com uma mulher com TPM né e então começam:

 

"O que tens?"

"Tas murchinha hoje"

"Tas muito calada hoje"

"Não precisas falar assim"

"Tem CALMA....."

"Bem não se pode estar mesmo ao pé de ti"

"Não digo mais nada"

 

Vá lá, acham que já não é suficiente estar a cavar a própria sepultura? Não precisamos ouvir estas frases encorajadoras ok?

 

Se calhar um "queres falar sobre o que estás a sentir?" seria bem mais aprazível!

 

Para quem interessar, gostei deste artigo:

 

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/12/09/voce-fica-muito-mal-antes-da-menstruacao-isso-pode-ser-uma-doenca.htm

 

Beijos!

 

Minha amada

Passeando no caminho perdido

Sentei-me debaixo de um abrigo

A imaginar como era

Nem reparei distraído

Que ainda lá permanecia

O limoeiro erguido que sempre nos acolhera

Lembrei-me de como foram bons

Os momentos que tivemos

Naquelas tardes de Agosto

Fomos amantes, fomos loucos

Fomos o que quisemos

Ainda assim não fui feliz

O destino não quis que ficasses

E ainda pior te entregasses

A outro pobre coitado

Que também como eu

Se deixou levar ao céu

E acabou enfeitiçado

Por um feitiço que perdura

E que cuja cura

Ainda é um segredo bem guardado

Pergunto-me como estarás agora

Que já deves ser senhora

Quase tão velha como eu

Continuarás charmosa e bela

Como Julieta que eras

Terás achado o teu Romeu?

Ainda que por um instante pudesse

Querer julgar-te mal e acabada

O meu coração não me obedece

A minha cabeça não esquece

O quão nela foste amada.

 

By:Podenga

 

 

Não existem boas pessoas

Um dia numa sessão de coaching o grande senhor que me acompanhava perguntava-me:

 

"Porque és tão revoltada com as pessoas?"

 

E eu respondi "Porque parece que no mundo há 20% de pessoas boas para 80% de pessoas más".

 

Ele levanta-se, desenha no quadro um pie chart com as percentagens que referi e pergunta-me "E tu, em que grupo estás incluída?".

 

Ficámos a discutir a ideia uns minutos até que não chegando a conclusão nenhuma ele me diz:

"Não há pessoas boas e pessoas más"

 

Claro que me pus logo a pesquisar sobre o gene da malvadez para conseguir provar a minha teoria, e desde então tenho vindo a pensar sobre o assunto.

 

Encontrei então o documentário "A ira de um anjo". https://www.youtube.com/watch?v=8Bp-cgUQpbk

 

Fala sobre uma menina que foi negligenciada pela família e se tornou num ser "sem sentimentos", com dificuldade em causar empatia e por isso infligia dor ao próximo sem ressentimentos.

Ela foi adoptada por uma família que nunca desistiu dela e pelos vistos reabilitou-se.

Contudo, será isso possível num adulto?

 

E quanto ás pessoas boas?

Será que podemos definir uma pessoa boa como aquela que não causa intencionalmente sofrimento ao próximo? Seja animal, ser humano, meio ambiente?

Nunca nenhum de nós seria boa pessoa.

Se pensarmos nos animais, muitas vezes ouvimos que não existem animais maus porque eles não têm consciência e\ou intenção de provocar dor ao próximo, é apenas o instinto deles.

Nós humanos, tendo consciência dos impactos das nossas acções e intenção de as praticar podemos então, ao contrario dos animais, ser punidos por isso, a menos que sejamos considerados (lá está) inimputáveis como por exemplo são as pessoas com deficiência mental.

 

Agora para mim existem sim casos reabilitáveis e casos não reabilitáveis.

Em adultos imputáveis existem actos que para mim não há como não classificar e definir à partida o tipo de pessoa que é, ou se tornou.

Alguém que provoca dor e sofrimento a seres frágeis e inocentes que não têm forma de se defender para mim é uma pessoa má.

E aí, não tem como ser boa pessoa.

 

Mas e então, e na guerra?

 

Pois é, não é tão simples assim...

Desisto.

 

Escrevo e apago

Começo a escrever e apago

Coloco as lágrimas ao lado

E limpo o papel novamente

Sinto um desconforto sem razão

Algo que me causa confusão

E me põe descontente

 

Começo a escrever e apago

Que o futuro já vem demorado

E o passado ninguém mais o viu

Dizem que ficou assustado

Por ser sempre relembrado

Não aguentou e partiu

 

Começo a escrever e apago

Que isto de viver sentado

Cansa até a quem assiste

Não, não estou deslumbrado

Só me sinto um pouco cansado

Da ideia que ainda persiste

 

Começo a escrever e apago

Já me sinto um criado

Da minha própria inspiração

Com tanto que podia fazer

Não tenho autoridade para dizer

Que não quero mais escrever

Se não for por profissão.

 

By: Podenga

Eu sou

Eu sou um turbilhão de coisas

Por isso eu sou tudo e eu sou nada

Por isso não me definem com uma só palavra

Mesmo quem tentou desistiu

 

Eu sou as pessoas que conheci

Os sorrisos que dividi

Os que trouxe comigo

E guardei escondidos

No fundo do cofre

 

Eu sou o hoje o ontem e o amanhã

Aquilo que fui e que desejei ser

Aquilo que ainda está para vir

E que teima em não chegar

 

Eu sou os genes que carrego

Corações que não sossego

Por não saber ser só isso

Adoro o reboliço

Que o choque de gerações provoca

 

Eu sou aquilo que os olhos podem ver

Não há nada mais a esconder

Nesta transparência defeituosa

Em tempos perigosa

Para quem quer sobreviver.

 

By: Podenga

 

 

Complexos com o corpo - impacto nas relações

Na infância (dos 7-10 anos) vestia o 40 de calças.

Nunca recebia um piropo dos rapazes, nunca recebia as cartas do dia dos namorados.

Ao invés disso era gozada, principalmente na aula de educação física porque estafetas e trampolins e afins eram apenas e só manobras de diversão dos meus colegas e verdadeiros tormentos para mim.

 

Adiante.

 

Desde que emagreci de repente (na passagem dos 10 para os 11 anos) que comecei a notar a reacção que provocava nos rapazes e fui aprendendo a lidar com isso, levada pelo entusiasmo de uma nova magra, mas retraída pelo passado de uma ex-gorda.

 

Hoje na idade adulta costumo comparar-me muito com as outras raparigas.

Às vezes quando vejo uma rapariga por exemplo no Instagram que acho que tem um corpo que gostaria de ter (nem estou a falar de fitness girls) envio para as minhas amigas e digo "gostava de ser assim", ou quando vejo uma rapariga que acho que é mais ou menos parecida comigo envio para os meus amigos rapazes e pergunto "quem é a mais sexy?".

 

É claro que este tipo de perguntas a amigos é sempre um nadinha enviesado porque por mais sinceros que eles queiram ser, não me querem magoar.

Felizmente tenho um ou dois que sei que me irão dizer sempre a verdade, não em termos de comparações porque não alinham nessas pararanoias, mas na análise do meu próprio corpo e naquilo que quero melhorar.

 

Pois bem eu sou aquilo que eu considero uma falsa magra.

Ou seja, eu vestida sinto-me a ultima coca-cola do deserto, despida sou uma anulação de pessoa.

 

Não consigo por exemplo ir a uma pool party que saiba que vai la estar um rapaz que eu ache piada.

Porque o que penso é: "Se ele me vê em bikini nunca vai querer nada comigo porque vai ver que no fundo sou uma desilusão, uma mentira"

O mesmo acontece por exemplo com rapazes que conheço todos fit.

Se eu conhecer um rapaz que considero que tenha um corpo escultural não avanço com medo de nos envolvermos fisicamente e de ele me considerar uma fraude.

 

Depois tenho outra problemática que acho que é mais bizarra ainda que é, se alguém com quem até já tive sexo me convida para ir para a praia.

Medo!

Mais uma vez, e aqui apesar da pessoa já me ter visto nua, o meu pensamento é: "Não, ele se me vir na praia com aquela luz natural vai reparar nas minhas estrias, celulite e afins e nunca mais me vai querer tocar e vou sentir-me um caco".

 

Tenho imensa celulite, flacidez, aquelas banhas nos flancos, de perfil o meu rabo parece que derreteu...enfim.

 

Ontem quando falava disto com um amigo ele disse-me uma coisa que fez-me pensar sobre esta minha insegurança com o meu corpo que foi:

"Os rapazes que estão contigo aceitam estar contigo pelo gosto que eles têm pelo teu corpo e não o teu gosto pelo teu corpo. O rapaz aceitou estar contigo e gostou daquilo que viu e tu tens de aceitar-te como és, ainda que queiras melhorar. Não podes boicotar uma relação com alguém que já te aceitou com medo que ele não te aceite. És tu que não te aceitas."

 

De facto não tive muito por onde responder.

Acho que estas exposições de corpo por exemplo em bikini trazem-me à memoria os enxovalhos que sofria nos campo de ferias da escola.

Outro sofrimento para mim ir para a praia com os "coleguinhas". Quando me despia ouvia os risos de fundo, as boquinhas maldosas aqueles

"Aiiiii olha lá olha lá, bué gorda".

 

Talvez para seguir e deixar estes medos para trás tenha de fazer as pazes com o meu passado.

Perdoa-los a eles e a mim.

 

 

Hoje pensei sobre....pessoas de grupo vs pessoas isoladas

Estar isolado não é necessariamente o mesmo que estar sozinho e estar em grupo não significa que não se possa sentir sozinho.

 

Na minha opinião a solidão é um processo do próprio individuo, dele com ele mesmo e com as expectativas que ele cria das circunstâncias ao seu redor.

 

Para mim a solidão é apenas uma consequência do facto de me aceitar como sou e não criar expectativas sobre aquilo que me rodeia.

 

Oiço muitas vezes das pessoas que sou "uma pessoa individualista" ou que estou "sempre sozinha".

 

1º estou sozinha por opção, não é que tenha sido abandonada (se é que isso é possível).

2º não sou uma pessoa anti-social por preferir passar a maioria do meu tempo dentro dos meus pensamentos e observações.

 

Digo mais. 

As pessoas que apenas se sentem bem em "grupos" são muitas vezes as mais anti-sociais, porque fora do seu âmbito, do seu "habitat" não sabem actuar/impor-se/aceitar.

 

Há dias falava com um amigo que é daqueles que desde pequeno os pais colocaram-no sempre em actividades de grupo.

Hoje em adulto, ele ainda pratica desporto de grupo e inclusive todas as suas férias são passadas com essas pessoas.

Dizia-me que se não estiver inserido em grupos se sente sozinho.

 

Fiquei a pensar sobre esta necessidade e julgamento que a sociedade faz sobre o facto de termos de andar sempre em matilha.

É como se alguém significasse mais ou tivesse mais relevância na sociedade por pertencer a um grupo.

É o mesmo que achar que uma coisa é mais verdade quanto a quantidade de pessoas que acreditam nisso.

Não.

Não preciso dessa validação.

 

Já tentei pertencer a grupos, mas não me sinto confortável.

Sinto-me castrada.

Já para não falar na questão natural da liderança, pois em todos os grupos há um ou mais lideres.

Sei que enquanto evolução do ser humano foi necessário a convivência em grupo para que se garantisse a sobrevivência da espécie, mas vá lá, já somos suficientemente evoluídos.

 

Faz-me alguma confusão pessoas que não saibam estar apenas com elas próprias.

Nós nascemos e morremos sozinhas.

As pessoas servem para ser usadas and that's all.

Não venhas

Não quero ter de esperar

Se isso não vai sarar

A ferida que já abri

Por há tanto esperar por ti

 Já decidi

Não é discutível

Tampouco aprazível

Para quem sente

 

Não

Não quero saber quando é

Se tenho tempo ou disponibilidade

É maldade

Aquilo que fazes comigo

 

Pergunto

Se não deste conta que parti

Se nem sequer perguntaste por mim

O que te dá o direito

De vir remexer no meu peito

As emoções que já guardei?

 

Não venhas que não vou cá estar

E se estiver

Vou mandar-te de volta

Para de onde nunca devias ter saído

Parece castigo

Ter de renunciar-te

 

Não venhas que não fazes falta

Agora que está alta

A minha confiança

Não tenhas esperança

De remediar o que fizeste

Se é esse o teste

Que pretendes fazer

 

Não

Não posso ter

Recaídas como outrora

Porque agora

A minha vida não és só tu

E quem nela vive

Já não suporta enxugar

As lágrimas que por ti derramo

E se ainda assim és quem amo

Certamente é por engano

Então prefiro não amar.

 

By: Podenga

Esperar

Penso em como vai ser

Quando te puder ter

Só para mim aqueles dias

Que vão parecer mentira

Por nunca imaginar que seria

Possível

Apaixonados

Esperamos juntos o momento

Em que o tempo já não será tormento

Finalmente vai haver tanto

Para fazer e dizer

Sem ter hora para acabar

Hesitante

Vamos vivendo nesta constante

Agonia

De quem cria

Expectativas

Uma espera martirizante

Pensando no instante

Que te vou tocar

E sem notar

Praticamos tantra

Depositando esperança

Na distância

Que irá encurtar

Imaginando o teu corpo nu

Petrifico só de pensar

Tento canalizar

O pensamento para outras causas

Fazendo pausas

Deste erotismo ambulante

Que mesmo distante

Provocas em mim

Fico assim

Despida eu também

De defesas contra quem

Já me contraiu

E que por isso me iludiu

Deixando-me a flutuar

Não há lugar

Que não nos imagine

A fazer amor

Que perturbador pensamento

No fundo alento

Para continuar a esperar

 

By: Podenga

 

 

Mãe (ii)

Gosto tanto de ti

Que dói

Não mata

Mas mói

O meu coração

Que outra opção

Existe

Para aquele que assiste

Ao milagre da vida?

Ficar recolhida

Ao livre acto de parir

Deixar de ouvir

Os pássaros a cantar?

 

Gosto tanto de ti

Que tenho medo

Deste meu apego

Que cada dia é maior

E se vai tornando em dor

Por não ter onde caber

 

Gosto tanto de ti

Que me custa a respirar

Sem me certificar

Que também o fazes

São acções fugazes

De mães capazes

Contudo medrosas

Em noites que por serem silenciosas

Assustam

 

Gosto tanto de ti

Que nem consigo pensar

Em nada que não me estremeça

Agora que o meu coração ganhou pernas

Sei que vão ser eternas

As minhas dores de cabeça.

 

By: Podenga