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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

28
Abr17

Hoje vamos falar de...estar excitada no ginasio

Bom isto pode parecer um pouco estranho...

 

Já queria ter abordado esta assunto antes, mas entretanto passou-me, até que ontem o meu "treino" me relembrou.

 

Eu fico excitada no ginásio.

Não sempre que vou ao ginásio, mas diria que mais de 50% das vezes.

 

Fico. Simplesmente acontece.

Ah e sempre durante o exercício, ou seja, não estou a falar de me excitar com as outras pessoas que lá estão.

 

Às vezes quando estava na passadeira a correr sentia algo estranho, como que uma predisposição para fazer sexo.

Parecia que começava a ficar excitada de correr, de sentir o suor a escorrer-me no peito, começava a correr mais rápido, a transpirar mais e o coração a bater mais forte.

Pensei para mim..."Deve ser adrenalina".

 

Entretanto ontem estava a fazer aquela máquina (não sei o nome) de glúteos onde é suposto abrir e fechar as pernas e enquanto fazia a ultima sequência, de tanta força fazer a minha vagina começou a ter contracções....

Quer dizer, não é que tivesse tido um orgasmo, mas soube bem :)

 

Confrontei as minhas amigas sobre o tema e fiquei em choque.

Elas também já sentiram isso e até com mais intensidade.

Umas na bicicleta, outras a correr...

Houve uma delas que até me disse que teve situações na passadeira em que teve de parar porque teve medo de ter um orgasmo em pleno exercício...

 

Bom, à falta de melhor, confesso que depois do episódio de ontem (e tendo em conta a minha dificuldade com orgasmos) penso ter arranjado (mais) uma boa motivação para lá voltar!

27
Abr17

Beleza do amor

Pensas-te muito para inventar essas mentiras

Ou já te sai naturalmente?

Ou descontente

Ainda tinhas em mente

Continuar durante mais tempo?

Atento

Nas tuas desculpas e sorrio

Como é que existia um rio

Entre tu e eu e não via?

Ou nem sequer sentia

As gotas de água a cair

Na minha cara sem pressentir

Que quanto mais me fazias sorrir

Mais me irias fazer chorar

E mesmo sabendo disso preferiste

Adiar

A minha agonia 

Como quem espera pela madrugada fria

Para matar

O sonho de quem sinceramente viveu

Um amor que era só seu

E que por isso no fim verteu

Lágrimas de pena

Como quem escreve um poema

Inspirada pelo que perdeu

Não no amor mas no tempo seu

Que não voltará a recuperar

Mas a amar 

Irá com certeza

Porque a beleza do amor

É que apesar de ser dor

É possível sarar.

 

By: Podenga

 

 

26
Abr17

Actos intermináveis

Adoro calmamente que me ligues

Odeio ansiosamente que me ignores

Como se as minhas unhas fossem pevides

Devoro-as até que melhores

Essas tuas façanhas de ilusionista

Que anseia pelo estrelato de outros olhos

Já não aguento da minha vista

Retira-te dessa vida da artista

Vem contracenar nos meus sonhos

Aí podes ser quem tu quiseres

E mesmo não encenando consegues

A fama que até hoje persegues

Ainda que só de mim

Serei tua sem fim

E assim

Seremos ambos completos

Dois artistas irrequietos

Com actos intermináveis

Com horas de acção impagáveis

Daquelas que duram para sempre

Na memoria de quem as sente

Infindáveis.

 

By:Podenga

 

21
Abr17

Bom dia mundo

Bom dia mundo

Hoje acordei com energia

Vou vestir roupa sexy 

E pregar a fundo

No meu Mercedes emprestado

Metade pago

Pelos papás

 

Bom dia mundo

Hoje não vou dar

Hoje vou distribuir

Estou a implodir

De tanta felicidade

 

Bom dia mundo

Podem-me julgar

Não vou canalizar

Essa energia negativa

 

Bom dia mundo

Podem olhar-me de lado pelo meu decote

Que eu não levo a peito

Adoro o despeito

De quem se julga santo

 

Bom dia mundo

Sejam felizes e deixem-me ser

Um dia vamos todos morrer

Ou ainda não sabiam disso?

 

By: Podenga

20
Abr17

Confundir paixão com adrenalina

Tenho amigos que me perguntam como é possível estar sempre a apaixonar-me e a sofrer dramaticamente como se não aprendesse nada de uma experiência para outra.

 

Na realidade hoje em dia quando me perguntam "estás apaixonada?" eu já digo que não.

Na realidade e olhando friamente para a situação é isso mesmo.

 

Eu apaixono-me por homens que me dão espaço e liberdade para sentir saudades deles.

Muitos apenas porque estão nem aí para mim, outros porque são naturalmente pessoas pacificas, seguras de si.

Isso provoca em mim uma sensação de ansiedade e adrenalina que me faz ficar doida e confundir isso com paixão.

Começo a achar mesmo que sou viciada nesses estados de espírito.

 

Parece que ter um amor sereno e pacifico para mim não vale.

Não sabe a nada, não mete graça, não dá pica.

 

Todos me dizem "calma, isso é porque ainda não conheceste o tal"

De facto com o único namorado que tive foi assim.

Eu não queria saber dele, tratava-o super mal, ignorava-o porque "tinha mais que fazer" e ele esteve sempre lá para mim e acabei apaixonando-me por ele.

 

Quando comecei a gostar dele o sentimento evoluiu muito rapidamente e a curva inverteu.

Eu passei a ser obcecada com ele e ele manteve o mesmo ritmo de sempre.

Comecei a absorvê-lo e a controlá-lo. A ter ciumes de todas as raparigas para quem ele olhava na rua, das colegas de trabalho etc.

Para mim ele tinha mudado e isso levava-me a ficar desconfiada.

 

Na realidade não foi ele que mudou, ele sempre caminhou ao mesmo ritmo.

Eu é que acelerei. Injectei a minha ansiedade e adrenalina naquela relação mas da pior maneira.

 

Reflectindo sobre tudo isto que se tem passado na minha vida nos últimos anos fico a questionar-me:

Será que vou precisar sempre deste sentimento de perda\ansiedade\saudade para me sentir viva num relacionamento?

Será essa a razão pela qual as "grandes" paixões que tive até agora (incluindo o meu namorado) eram de fora de Lisboa ou até de Portugal?

 

Será que arranjar alguém de uma forma "normal" (no trabalho, ginásio, discoteca...) é demasiado boring para mim? 

 

E quando conseguir estar com alguém será que me consigo manter num ritmo saudável ou tratarei de ficar obcecada por ele e a controla-lo o tempo todo?

Muitos homens se apaixonam por esta minha forma louca de ser....mas sei que vão embora quando perceberem que é cansativo.

Para mim é cansativo, para ele é cansativo.

 

Juntando a isto o ciume e insegurança a mistura fica explosiva.

 

Preciso de atenção 100% mas se me dão atenção a 100% já não tenho interesse.

Será isto um loop sem fim?

19
Abr17

Amor Crioulo

E aí vem o cheiro a terra molhada

Vem a chuva

Que não molha nem faz nada

E eu

Deixo-me cair nos teus braços

São escassos

Os momentos que temos só nós

 

Tocamo-nos ambos a tremer

Num misto de frio e prazer

Debaixo do coqueiro escondidos

Na florestação densa imensa

Sentimo-nos perdidos

 

Entrelaçados a temperatura aumenta

E a luminosidade desvenda

O teu corpo molhado

Aprecias o meu cabelo amarrado

Por uma liana verde

 

O vento embala as folhas em redor

Permitindo o vislumbre da cor

Do teu rosto 

Castanho tal qual a lama 

Com pingas de suor emana

Um cheiro que me agita

Abre-me a ferida extinta

Relembrando-me da dor

De não te poder levar comigo

Então esqueço e sigo

Beijando-te ainda mais

 

Envolvidos nos sentidos da natureza e nos nossos

Amamo-nos possessos

Pelo desejo comum

De sermos apenas um

Unindo este amor que é fogo

Que arde sem cessar

Faz a humidade aumentar

O nosso calor sustenta

O que o corpo aguenta

Mal conseguimos respirar 

 

Apesar da tormenta

Continuamos abraçados

Com os corações alagados

Da agua do mar

Das ondas que não vemos mas conseguimos escutar

Desde o nosso ninho tropical

 Não damos conta da beleza que nos rodeia

Construimos a nossa teia

Protectora da boca alheia

No meio do paraíso

Alimentados pelo sorriso

Um do outro

 

E bem no pico do climax

O sol abandona-nos

Como que a celebrar o final

Do bem e do mal

Que este encontro compreende

 

Atrás dele vem a lua

Chega para nos avisar

Que está na hora de partir e voltar

À verdadeira vida

De pés no chão

Não temos hipótese senão

Ir em direcção opostas

Virarmos as costas

E seguirmos sem questionar

O que a natureza dita

 

By:Podenga

13
Abr17

Beija-me rápido

Beija-me rápido

É o mais prático

Para quem tem desejo mas não pode

Expressar aquilo que sente

Com medo do que a gente

Possa dizer

 

Beija-me rápido

Daqueles que só tu sabes dar

Daqueles que não dão que falar

Que ocorrem num piscar de olhos

Que não dão aos empecilhos

Tempo de avistar

 

Beija-me rápido

Que já esperei demasiado

Para provar o teu sabor

Que mesmo com dor não esqueci

E que por amor não substitui

Mesmo que podendo

 

Beija-me rápido

Pois não sei quando se repetirá

Deus saberá

E se acontecer

Que fique lá

Guardado no nosso templo

Eterno em cada momento

Que só a nós pertence

 

Beija-me rápido

Faz o tempo parar

Faz o beijo durar

Mais do que o tempo que conhecemos

Não merecemos

Ter de esperar tanto

E mesmo assim fazê-lo num canto

Como se praticássemos um crime

 

Beija-me rápido

Mas não me beijes mais

Se não pretenderes repetir

Não me quero iludir

Não posso permitir

Que os teus beijos sejam fatais

 

Beija-me rápido

Como se fosse a ultima vez

Aquela em que virás para ficar

Que não teremos mais de jurar

Que voltaremos novamente

 

Beija-me rápido

Que estou quase a ceder

Estou quase pronta para sofrer

As consequências que te beijar acarreta

Vou deixar-me à minha sorte

 Vou lançar-me na roleta

Quero finalmente ser completa

Mesmo que a sentença

Seja a morte

 

By: Podenga 

 

12
Abr17

Namorar com um preto (que não mulato de olhos verdes) parece crime

Há relacionamentos que acho que só funcionam longe do meu quotidiano, sem necessidade de aprovação e aceitação por parte dos meus amigos e familiares.

 

Reencontrei uma paixão de faculdade com quem nunca consegui assumir nada por uma razão: não sei lidar com o preconceito!

 

Além da pessoa em questão ser de pele muito escura, não é bonito. Não pelo menos na proporção que eu sou bonita (isto é ridiculo eu sei).

O problema é que eu não vejo essa "feieza" ou pelo menos nunca foi relevante para mim.

Alias, acho que nunca senti tanta atracção por um homem...

A nossa tensão sexual sente-se a milhas.

 

No entanto, sempre que vamos a algum espaço publico toda a gente pára para olhar para nós.

Pretos, brancos, qualquer tonalidade e raça...

Olham a um nível que me sinto mesmo incomodada.

Ele nunca comentou nada disso comigo, nem sei se tem a mesma percepção.

 

Pior é que eu não me sinto à vontade para fazer coisas com ele (em Portugal) porque sinto sempre que toda a gente vai estar a julgar.

Uma vez estávamos a passear num shopping os dois de mão dada.

Um senhor parou chocado a olhar e disse "que pouca vergonha".

Parecia um episódio do "E se fosse consigo?".

 

Há alturas em que eu própria o coloco à parte tentando-o esconder dos olhares alheios e ele sente isso.

Por isso ele se afastou de mim todos estes anos, e por isso eu acho que nunca lhe propus tentarmos.

 

Não consigo viver com comentários como:

"conseguias melhor"

"tu és tão linda" 

"como é que consegues?"

"o que vês nele?"

"só gostas de pretos"

"ele não tem nada a ver contigo"

"ainda que fosse clarinho" (esta então mata-me)

 

Pior é que sempre que alguém me diz isto na cara gera discussão pois não suporto este tipo de observações como se ele não tivesse ao meu nível porque não é bonito, ou porque é preto, quando temos tanta coisa em comum, quando nos entendemos tão bem e temos uma cumplicidade brutal.

 

A semana passada ele passou uma noite na minha casa.

Era dia de semana então iríamos sair à mesma hora de casa, eu para o meu carro e ele para o dele.

Só de pensar que iria descer para a rua com ele havendo a hipótese de me encontrar com algum vizinho, despedir-me dele com um beijo e toda a gente comentar inventei uma desculpa para ele ir sem mim.

 

Senti-me pessimamente quando ele foi embora sozinho. Senti que o estava a trair.

 

Não posso continuar a fazer-lhe isto porque eu própria estou a a julgá-lo.

Não sei como lidar com esta pressão social que me faz crer que estou a cometer um crime.

Como se o amor tivesse de fazer algum sentido...

06
Abr17

Desencarnados drogados

Quem disse que para se morrer

É preciso estar vivo

Se contigo

Vejo aquem

Apesar de vivo tem

Atitudes de desencarnado?

Divago

E penso

Consegues sentir o cheiro a podre

Que fica à passagem da tua pessoa?

Que se entranha e enjoa

Quem vê com os olhos da alma

E não com os da cara

Que não servem senão para agradar à superfície

E curar a ferida externa

Que sem ser eterna

Serve para acalmar

Os egos viciados

Dos desencarnados drogados

Que insistem em continuar

A apostar no impuro sem futuro

Um buraco escuro

Sem volta a dar

A insistir naquilo que os torna vulneráveis

Falsos, perigosos e frágeis

Não aprendem a controlar

As vontades impulsivas

De quem está em jejum espiritual

Que segue evoluindo na horizontal

Pois não consegue ver além

Do seu próprio umbigo

E prefere ser mal resolvido

A lutar para ser alguém.

 

By: Podenga