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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

30
Mar17

Paixão platónica

Chamas-me e eu olho

Ignoro

Todos os sinais que o meu corpo me dá

Coração a bater, mãos a tremer, pupilas a dilatar

Apaixono-me

Assim

Ai de mim

Se soubesses

Que ainda nem me tocaste

E eu já estou assim

Vou perdendo a vergonha e olho-te

De cima a baixo

Mas não deixo

Que percebas

Pegas

No desenho e falas comigo

Explicas-me tudo outra vez

Eu oiço atenta e sorrio

Tento conter o frio

Do nervoso miudinho

Que sinto no meu sangue a correr

Pedes-me para tirar a camisa

Destabilizas

O meu sistema nervoso

Olho para ti

Pareces ansioso

Que tudo corra bem

Não há quem

Não goste do teu trabalho

Relaxo

E começamos a sessão

Observo-te concentrado

E vou aproveitando

Para te tocar

Sem deixar

Que pareça propositado

És comprometido

Sei que não irias achar

Graça

Passa

O dia e eu nem dou por isso

Analiso 

As nossas conversas

Na minha cabeça

Na esperança que apareça

Algum sinal que não interpretei

Irei

Voltar uma segunda vez

Talvez aí dês

Algum sinal

Que indique

Interesse

Ou então que explique

 Onde errei.

 

 By: Podenga

29
Mar17

Ego coleccionador

Tenho um ego que colecciona

Corações famintos de atenção

Na esperança de preencher um vazio

Que vejo de fio a pavio

Ao percorrer a ilusão

De que se continuar a fazê-lo

Não tenha de enfrentar a dura realidade que é

Nem ter vontade até

De procurar melhor.

 

Não é preguiça é desencanto

Que o meu tempo que é tanto

Não me deixa esquecer

Dos corações que encontrei

Mas que nunca coleccionei

Por nunca poder 

 

Trazê-los comigo

Estavam presos!

A passados vincados

De amores interminados

Que não pude combater

 

Outros tantos ainda

Sem mistério ou mentira

Não se esforçaram por mais

Deram-me o mínimo que podiam

Certamente mais não tinham

Mas nunca foram leais

 

À verdade partilhada

Deixaram-me sem fim e sem nada

Como um leão selvagem na jaula

Sem se poder defender

De um ataque que não esperava

Um desprezo que mostrava

Quão insignificante poderia ser

 

O tempo passado com alguém

Que também vem

Como eu a coleccionar

Corações famintos de atenção

Que um dia calhou ser o meu

 

Mesmo assim ao experimentar

O que é participar

Da acção que pratico

Continuo de modo afinco

Não abdico de continuar.

 

By: Podenga

 

 

 

27
Mar17

Passo a vida a correr, quando vai chegar a hora de sentar e apreciar?

Hoje enquanto fazia snooze no meu despertador dei-me conta da realidade que é a minha vida.

 

Ando sempre a correr.

Corro para chegar a horas ao meu trabalho.

Corro atrás de homens que não me querem.

Corro atrás do meu peso ideal.

Corro atrás de ter dinheiro.

Corro atrás de ter tempo.

 

Correr, correr, correr.

 

Será que isto é tudo o que a vida se trata?

Correr atrás de coisas, de objectivos?

Nunca se vai parar para apreciar? Viver o momento apenas?

E não falo de não fazer nada, mas ser dona e decisora do que vou fazer com o tempo que tenho.

 

Quando visitei São Tomé e Príncipe senti-me como se me tivessem colocado um muro em plena auto-estrada e eu tivesse feito uma paragem brusca.

Demorou uns 3 dias para me habituar ao ritmo de vida de lá, para sequer gostar de lá estar.

Leve-leve? Não sei ser leve-leve...

Tudo me apoquentava, tudo era um drama, tanta coisa por melhorar aos meus olhos e as pessoas não correm?

Mas correr atrás do quê? Quando se tem o mar cheio de peixe, quando se tem café no quintal, quando a fruta cai de podre nas proximidades...

Para quê complicar em ter uma casa melhor, se um telhado de chapa para a chuva serve?

Apercebi-me que quem estava errada não eram eles. Eles estavam a apreciar e não a correr.

Estavam a viver a vida como ela deve ser vivida.

O que iria na cabeça daquelas pessoas?

Certamente que não estavam a pensar na conta da luz, agua, tv cabo...não precisam.

Vivem numa ilha auto-sustentável, onde ainda se apanha boleia de desconhecidos sem medos.

Onde as festas são nas casas dos familiares.

Onde não há zonas VIP.

 

Onde nos perdemos nós?

Quando deixámos de ser assim?

Algumas vez fomos?

É possível retornar?

 

Se eles vivem dos recursos que a natureza lhes dá porque temos nós de pagar por tudo? IMI, taxas municipais isto e aquilo....

Quando no final do mês pago todas as minhas despesas e não consigo poupar nada, não é igual a não receber nada?

Não estou eu a ser uma escrava em troca de um conforto camuflado que me vendem?

24
Mar17

Caçada de mestre

Não me venhas com essa fala mansa

De quem encena a dança

Do acasalamento

Eu tento

Fingir que não percebo

Mas sei que a tua intenção é essa

Que rica peça

Me saíste!

Tu que parecias 

Triste

Ou que bem

Me persuadiste 

E eu acreditei

Que precisavas de um ombro amigo

Alguém que vivesse contigo

Esta fase conturbada da vida.

Em ti coloquei

Esperanças

E em vez de corresponderes 

Lanças

As garras de fora

Como quem não via a hora

De iniciar a caçada

Há tanto aguardada

Planeada e ensaiada

Na tua cabeça lúcida

Chamaste-me estúpida

E eu passei-te a mão no pêlo

Tal não era o pesadelo

Que podias estar a sofrer

Que pena não poder

Voltar atrás para fazer

Diferente

Por-te consciente

Que brincar com os sentimentos dos outros

É uma brincadeira que aos poucos

Pode

Reverter

 

By: Podenga

 

 

23
Mar17

Traição

Saio para a rua e tento não pensar

Na cara da minha namorada 

Não vale de nada

Eu sei

Estou consciente do que quero

Amo-a

Mas não espero

Por ela

Sou homem

Tenho necessidade de preencher o meu ego

Praticando sexo com desapego

Regular

Não é opcional

É obrigatório

No meu escritório

Registam-se as chamadas dela

Que como a Cinderela

Acaba abandonada

Na madrugada

Que eu pontualmente

Escolho

Recolho

Os vestígios finais

Batom, perfume, mensagens

Os tais

Que ela busca e eu sei

Não pensei

Que houvessem mais

Esquecido

Do papel fundamental

Que na pressa guardei

No pior local

Acabo

Por terminar

Sem como justificar 

Uma ida ao hotel

Paga com o meu cartão de crédito

Inédito

Num dia de trabalho comum

Fiquei sem nenhum

Argumento

Só me resta encenar

O amigo

Que encobre

Um adultério

Mistério

Que não posso revelar

Sossega mas não acredita

Grita

Exigindo a verdade

Cobarde

Começo a chorar

Não sei lidar

Com o sofrimento dela

Não contava

Que fosse acabar assim

Agora 

Garante-me ela

Não estará mais à minha espera

Terei todo o tempo para mim.

 

 By: Podenga

 

22
Mar17

Vicio de ti

Este vicio de ti

Que mói mas não mata

Que quer fazer mas não passa

À acção

Por saber que não pode

Perder o orgulho ferido

De quem foi ignorado e banido

Da vida de alguém que amou.

 

Este vicio que me exige respeito

A cada tentativa de me redimir

Que me grita e me faz sumir

Da beira do precipício

 

Este vicio policia

Que me segue e me avisa

Assim que estou prestes a ceder

Quando oiço aquela musica

Que vontade absurda

De te voltar a ter

Como te tive um dia

Na ultima noite fria

Que para nós foi quente.

 

Este vicio que me pega e me acorda

Não há nada que sobra

Por onde possa pegar

Só me resta voltar

E continuar a viver

Fingindo que o que tivemos foi um sonho 

Que nunca mais voltarei a ter.

 

By: Podenga

 

 

21
Mar17

Tenho pena de ti amor

Tenho pena de ti amor

Que não sabes o sabor da dor

Que o anseio de amar provoca

Pouco importa

Eu sei

Já errei

Mesmo antes de tentar

Não te posso comparar

Com um comum mortal

És imoral

Não sabes julgar

As acções

Com base nas emoções

Que não conheces...

 

Tenho pena de ti amor

Que não sabes que no fundo do túnel

Há luz

Pus

Tudo o que tinha no cesto

E deixei à tua porta

Caminhei pela rua torta

Na esperança de te encontrar

Não te vi

E ao procurar-te caí

Rompi a minha bota

 

Tenho pena de ti amor

Que desistes por cansaço

De quem não larga um pedaço

Do seu coração

Em vão

Sem rótulos ou orçamentos

Tais foram os tempos

Em que te entregavas de bandeja...

Que seja

Como queres

Mas não esperes 

Que ela esteja

Disposta a pagar

 

Tenho pena de ti amor

Sobretudo pelo valor

Que atribuis às pessoas

Que por ti fazem tudo

Veludo

Daquele que não queres vestir

Ou usar

Com medo de ficar

Preso

 

By: Podenga

 

21
Mar17

Conselho de um velho amigo

Olho para ti e penso

Onde estará a geração que nos separa?

Não querendo ser mal interpretado sei ver

Que essa ternura que mostras ter

Já não é assim tão inocente

 

Não franzas o sobrolho

Que eu sei do que falo

Não estou a cantar de galo

É conselho de amigo apenas

 

Porque apesar de ser mais velho

Ainda me lembro como é ser

Jovem inconsequente sem saber

Que um dia tudo vai ter fim

 

Se me permites introduzir a esta conversa "secante"

De um cota insignificante

Uma observação de ti

Deixa-me dizer-te querida amiga

Vejo-te mal encaminhada

A valorizar de forma errada

As coisas importantes da vida.

Lembra-te

Que o teu corpo não é um museu

O teu coração não é só teu

Todos sofrem ao ver-te perdida.

 

Para não falar das prioridades

Roupas, saídas e rapazes

Que usam e abusam de ti!

Sem saberem da tua vontade

De amar e ser amada

Ter uma história encantada

Com um príncipe de verdade.

 

Não te condeno pelo sexo

Não sou tão pudico assim

Refiro-me à forma rápida como deixas

Que cheguem até ti 

Onde anda a sedução?

Já não falo em andarem de mão dada

Mas alguma dificuldade tem de haver!

Que os ajude a perceber

Como mereces ser tratada

Não usada e descartada

Como queres fazer crer

 

Mas que te importa esta conversa agora?

O tempo para ti chega e sobra

Ainda tudo é tão banal..

Mas depois sofres e aqui estás tu

Com o amigo habitual

A ressuscitar os conselhos do passado

Para ti desactualizado

Mas para mim....intemporal.

 

 By: Podenga

 

 

 

16
Mar17

Que estranha forma de ser amigo

Que estranha forma de ser

Amigo nas ocasiões

Contar sentimentos como tostões 

E ainda assim tentar poupar

 

Que estranha forma de ser

Amigo nas entrelinhas

Porque será que fascinas

Quem te conhece de leve?

 

Que estranha forma de fazer

Um amigo descartável

Utilizado sem saber

Por aquilo que virá a ser

Uma quebra inevitável

 

Da confiança e da razão

De quem nunca te largou a mão

E que agora não importas de deixar

 

Porque razão não avisaste logo

Que irias partir da maneira que chegaste?

Como um truque de magia se tratasse

Os momentos que passámos!

 

Que faço agora sem ti meu ombro amigo?

Tu que deixas-te um zumbido

No meu quotidiano vazio e perdido

Sem telefonemos nem partilhas

Quais madrugadas frias

Sem com quem celebrar!

 

Vai-te mas não voltes mais!

A não ser que sejas capaz

De uma profundidade fugaz

Para onde possa mergulhar

Sem nunca necessitar

Olhar para trás e comprovar

Que ainda lá estás.

 

 

 By: Podenga

 

 

 

 

13
Mar17

Não sejas tão dura contigo

Não te desestabilizes assim

Ele não vale a consequência que é

Estares tantas madrugadas de pé

Na esperança de uma mensagem

 

Não te diminuas dessa maneira

A colocar a tua vida em pausa

Para assistir na plateia

À vida social que ele presenteia

As que como tu lhe seguem o rasto.

 

Não penses mais nisso, não vale o esforço!

Não foi é porque não tinha de ser!

Como já te devem ter dito um dia

O que arde cura

E o amor...tem de doer.

 

Não fiques à espera dele

Tu sabes que ele não vem!

Diz-me

Se souberes QUEM

Arriscaria

Nesta sociedade podre e vazia

Perder um amor que vale por cem?

 

Não, pára!

Não te ponhas a relembrar!

Para quê olhar essas fotografias e pensar

Que tudo pode voltar a acontecer?

Tu sabes que não podes permitir

Que um dia ele volte a sentir

A tua submissa forma de perder

 

Não, já chega!

Desta estranha forma de sofrer

O que é isto de chorar a toda a hora?

Não fazeres mais o que fazias outrora

Por quem nunca te valorizou?

 

Ok! se é assim que queres aceito!

Não posso fazer mais do teu jeito

E continuar a aceitar

Que te maltrates à minha frente

Vou deixar de te aconselhar

Vou deixar o tempo mostrar

Que ele não passou de uma aprendizagem

Sem relevância ou percentagem

Neste curso intensivo que é

Amar.

 

By: Podenga

 

 

 

 

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