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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

25
Jul16

Quando os homens te visitam mas não ficam

Há uns 10 anos atrás, ainda era eu uma jovem adolescente, um rapaz/amigo que tinha uma enorme paixão por mim (não correspondida) convida-me para ir ao cinema.

 

Eu aceitei, porque não? Estava de férias da escola e divirtiamo-nos muito juntos.

 

Já estávamos sentados nas cadeiras ele recebe uma chamada.

 

Não se mostrou incomodado e atende.

 

Começa a conversar e ás tantas diz "Estou no cinema com uns amigos".

 

Oi?

 

Quando ele desligou já eu estava com aquela cara de caso a olhar para ele.

Ele ri-se, olha para mim e diz:

 

"É a Paula, a minha namorada."

 

E eu, que não sabia que ele tinha namorada pergunto-lhe porquê que ele me tinha convidado para ir cinema tendo uma namorada, pelos vistos disponível, que não merecia ser enganada.

 

E ele diz-me uma frase ridícula que até hoje não esqueci.

 

"Tens de perceber a diferença, tu és as minhas batatas fritas ela é o bife"

 

Na altura ri-me e pedi-lhe para ele nunca mais me omitir nada da vida dele, e voltei a vincar que nós nunca iríamos passar de amigos.

 

Este fim-de-semana experienciei o que esta frase realmente quer dizer.

 

Reencontrei uma ex-paixão minha da faculdade que me convidou para ir "beber um copo" e que eu sem hesitar disse sim.

 

Claro que nos enrolámos.

Claro que ele não me enviou mensagens ou convites no dia seguinte.

Claro que eu passei o dia a olhar para o telemóvel.

 

Percebo que os homens têm tesão por mim, o que é bom, faz bem ao ego, ao meu ego.

Mas é momentâneo. Tou cansada.

Se não estou preparada para o dia seguinte, é um sinal que este jogo não é para mim.

 

A história é sempre a mesma, os resultados também e eu não aprendo.

Passados anos sem me falarem, milhentas publicações com namoradas depois, lá vêm "eles" convidarem-me para ir beber um "café", lá vou eu toda iludida, lá vão eles embora e cá fico eu com este sentimento de "soube a pouco".

 

Hoje consigo perceber que eles não voltam porque sentiram muitas saudades minhas ou porque me querem conquistar.

 

Hoje percebo que sou um snack.

Alimenta, não dá trabalho.

Para horas de lazer.

 

 

 

22
Jul16

Porquê rebaixar/gozar com outra pessoa?

Hoje quando abri o facebook de manhã vi uma piada que um rapaz fez a uma foto que uma amiga minha pôs no facebook.

 

Ao exibir o seu novo "colega" de trabalho (peluche) o rapaz diz:

 

"Tem um cérebro maior que o teu?"

 

Ao que ela respondeu a tentar repostar.

 

"Sim, como tu. É um cabeção".

 

E ele remata:

 

"Então é maior, bem me parecia."

 

Suponho que sejam amigos o suficiente para isto não ser uma troca de galhardetes disfarçados de "bom" humor amistoso.

 

Contudo, fez-me pensar na necessidade que as pessoas têm de gozar/rebaixar/pisar outras pessoas.

 

Eu já sofri de bullying no trabalho por uma senhora 20 anos mais velha que eu enquanto estava num projecto de consultoria de sistemas de informação. Ela era a minha keyuser e então tudo o que eu fazia tinha de ser supervisionado por ela, alem de que, fisicamente ficava sempre sentada perto dela, o que significava que ela tinha tudo por onde pegar. Desde o meu trabalho ao lanche que comia.

 

Recordo-me perfeitamente de um dia de primavera que levei um top para o trabalho (normalíssimo) e pedi para fecharem a janela, pois de manhã na primavera está mais fresco e eu estava ao lado da janela.

Passado uns minutos ela foi abrir a janela e alguém lhe disse para não abrir.

Ao que ela disse em voz alta "Desculpa mas tenho calor, não venho nua para o trabalho".

A pessoa, colega dela, que percebeu a indirecta para mim disse-lhe "Ninguém vem nua para o trabalho".

 

E aquilo ferveu-me e doeu-me de uma maneira que tudo o que eu fazia ou dizia já saía a medo do que ela pudesse dizer.

 

Nunca percebi porque me dizia aquelas coisas, em voz alta, para que toda a gente percebesse a indirecta. Sem nunca dizer o meu nome...toda a gente (eu inclusive) percebia que era para mim.

 

De referir que eu, com 21 anos, tinha acabado de sair da faculdade...nem sequer estava calibrada para lidar com este tipo de situação.

 

Foram uns 3 meses assim. Até o meu chefe (homem) ser substituído por uma nova chefe (mulher) que também tinha sofrido do mesmo problema com a mesma pessoa.

 

Como eu era consultora e ela cliente, não podia responder-lhe, então aguentei e fingia que não ouvia.

 

Hoje em dia, com tudo o que já passei, falei sobre o assunto e inclusive por ter participado em algumas palestras de desenvolvimento pessoal , percebi que é possível dar volta a estas situações (na vida adulta, pois estas situações de bullying até á adolescência é muito difícil combatê-las sozinho).

 

1º ponto: ninguém te machuca se tu não permitires. Ou seja, tu tens de perceber que NINGUÉM tem o direito de te infligir qualquer tipo de sofrimento. Ninguém. 

 

2º ponto: quando as pessoas fazem isso, elas próprias estão em sofrimento. Aqui custa um bocadinho vitimizar o agressor, mas o que quero dizer é que, ninguém que recebe amor dá violência. Alguém que hoje é o opressor, um dia já foi vitima. Infelizmente existe muita ocorrência de violência (seja ela de que tipo for) por parte de vitimas e isto nota-se por exemplo na violência doméstica (não percebo porque subdividem a violência em tipos...enfim).

 

3º ponto: se te distanciares e perceberes que a pessoa te está a fazer isso, porque é a opção dos fracos para se sentirem superiores, percebes que no final quem é superior és tu. Atenção que ninguém é superior a ninguém, no entanto, numa situação de opressor/vitima, muitas vezes a vitima culpabiliza-se e até encarna a personagem que o opressor lhe incute.

 

No meu caso de bullying, a situação resolveu-se quando eu reportei á minha superior hierárquica (mulher) o que se estava a passar. 

 

Ela foi falar com a senhora com um discurso muito simples que muito resumido dizia:

"Nós não estamos aqui para dificultar o trabalho nem para te atrapalhar a vida, e se te fizermos sentir isso por favor fala connosco. Nós estamos aqui para te ajudar, naquilo que tu precisares. Estamos do teu lado."

 

A senhora baixou as guardas de tal forma que no final do projecto agradeceu-me a ajuda que lhe dei.

Sei que nem todos os casos são de fácil resolução.

 

Há trabalhos em que têm de aturar todo o qualquer desaforo sem poder praticamente responder. 

As pessoas pensam que por estarem a pagar um café numa esplanada, pagam também a possibilidade de enxovalhar uma "presa" fácil da sociedade.

 

Porque o cliente, tem sempre razão.

 

21
Jul16

Quando percebes que és só mais uma

Bom...todas nós já tivemos aquela noite em que "vamos so beber um copo" e acabamos por nos apaixonar right?

Certo.

 

Eu ia sair, modo gótico-fashion, camisa aos xadrez, maquilhagem preta, o típico.

 

Ia sair com um amigo e uma amiga, á partida quando saímos com um rapaz é pouco provável conhecer um "babe", mas naquela noite a minha amiga queria ir ter com outro amigo dela e lá fomos.

 

O que ela não me tinha contado é que eles não se conheciam pessoalmente....ou seja...sabem quando um stalker que tem algo em comum connosco nos adiciona no facebook e quando percebemos que ele até é gato aceitamos?

 

Foi o que lhe aconteceu.

 

Então ela diz-me timidamente "Espera...vamos ficar só a vê-lo de longe para saber se vale a pena ir lá". Sentia-me com 14 anos na altura em que comecei a ter dates virtuais pelo mirc, ou aeio ou outro chat qualquer da moda.

 

E digo-lhe eu "Ouve lá eles são 3, se qualquer coisa correr mal ficamos todos amigos". Devia era ter ficado caladinha, acho que atraí karma.

 

Bom, chegámos ao pé deles, fingimos que era uma situação normal e desatamos a dar beijinhos e a dizer os nomes.

Eles já tinham um mojito, nós fomos buscar um para nós...entre o "qual achas mais giro?" e o "a serio que vamos engatar um rapaz com o António connosco?" (António era o pobre do nosso amigo que tinha ido ter connosco numa só de beber um copo e acabou a fazer de candelabro....), lá compramos uma caipirinha.

 

Quando voltámos percebi que o António já estava à conversa com um dos rapazes, entretanto a minha amiga foi "raptada" na conversa do babe dela e eu saquei dum cigarro e pensei...espero que quando me voltar para trás o rapaz que sobrou valha a pena...

 

E valia...

 

Ok.

 

Fiz-me de interessada na decoração dos prédios, na bebida, pensativa com a vida etc etc quando sinto uma mão a tocar-me nas costas (acreditem que o termo sentir foi mesmo s-e-n-t-i-r god).....estava carente é normal.

 

Apresentou-se de novo. João.

 

Falámos, rimos, ouvimos musica, gozámos um com o outro (sim, estávamos em pleno bairro alto às 03h00...)...enfim acções daquela química que floresceu dentro de nós (mim).

 

Fomos sair, dançámos, bebemos mais um pouco, rimos um par de vezes...ele tenta beijar-me, eu digo que não (estava mortinha, mas tive de me fazer de difícil), enfim...terminamos a noite a comer um hamburger (ainda comia carne nessa altura) e a ir para casa (separados).

 

E agora a parte importante...trocaram contactos certo? telemóvel, facebook etc etc...

 

Não.

 

Pensei para mim: não fiques ansiosa...se ele gostou de ti ele vem atrás.

 

Passaram 3 dias e eu decidi pedir à minha amiga para falar com o amigo dela. A mensagem retornou a dizer que o João me tinha mandado uma mensagem precisamente no dia seguinte à noite em que nos conhecemos.

 

Como é possível?!

 

Eu desmenti e continuei a chamar-lhe todos os nomes que existiam, quando alguém me disse: "olha lá, tu não tens um filtro para não receberes mensagens de quem não é teu amigo?"

 

Bingo.

 

Lá estava ele, a sua foto de perfil, e a linda mensagem a dizer "Olá" (muito profundo para mim naquele momento, foi).

 

Começámos a falar bla bla e eu sempre á espera do convite para beber café ou algo do género que....claro que não acontecia.

 

Uns dias passaram e eu começo a notar que em todos os lugares que ele ia ele colocava no facebook o evento.

Então a partir daí desci um nível e comecei a "provocar" encontros.

 

Lá fui eu, Lisboa fora feita tonta...eis senão quando...passado uns 3 meses (sim não me enganei) 3 meses encontrei-o numa das discotecas badaladas de Lisboa. Quando o vi o meu coração parou...e estava sozinho, tão querido, a ouvir a musica, longe dos amigos que já estavam acompanhados! Que príncipe!

 

Mal lhe falei ele abraçou-me...e depois de uma hora de conversa e flirt...deu-se o beijo..sabem ? aquele que parece que o mundo pára?

 

Bom, os meus amigos que estavam lá comigo foram embora e eu fiquei até o sol nascer com ele.

Não, não dormi com ele, e fui embora para casa de táxi.

 

No dia seguinte andei a ver borboletas em todos e lado e a esperar.

 

Esperei...claro que esperei. Por um convite. Jantar, café cinema...tantas opções e ...nada!

 

A esta altura já qualquer pessoa normal tinha percebido que ele não queria nada comigo, mas eu feita burra lá fui tentar mais uma vez.

 

Enchi-me de coragem e disse-lhe: que tal irmos passar um fim-de-semana juntos?

 

Epic!

 

Ele disse para ir até à casa dele, já que ele não morava em Lisboa e eu aceitei.

Então lá fui, colocar mais umas memorias na cabeça... daquele príncipe encantado que não gostava de mim.

Foi bom...muito bom aqueles 2 ou 3 dias, nem sei quantos dias foram os que fiquei com ele...

Soube a tão pouco, ele foi tão cavalheiro sempre, mas sempre.

 

Ainda me lembro do beijo que me deu quando segunda-feira de manhã se despediu de mim para ir trabalhar e me diz ao ouvido:

 

"Sai quando quiseres ok?"

 

Hoje, já se passou 1 ano desde que nos conhecemos.

Espero até hoje uma saída, um café, qualquer coisa.

 

Depois do fim-de-semana juntos o destino pôs-nos juntos no mesmo local em situações que seriam pouco prováveis.

Acredito que seria para me provar que ele, mesmo me vendo, iria sempre não dizer nada.

 

Just because he doesn't like me.

That's (all).

Let it go, girl.

 

Sim, foi isto que coloquei na minha cabeça.

É claro que, se quando acabar de escrever isto o visse á minha frente morria de calores.

Ficou-me sempre atravessado porque ele simplesmente não gostou de mim e eu simplesmente fui só mais uma.

 

E sim, ele está solteiro...não percebo porquê.

 

 

14
Jul16

Diva Depressiva

"Há dias melhores outros piores"

 

Mas esta semana para mim está a ser especialmente má.

Hoje quando sai de casa vi um novo gato bebe que apareceu lá no bairro.

Aquilo é só gatas a parir não percebo.

 

O sistema está todo errado e não consigo pensar correctamente de tanta frustração que carrego dentro de mim.

 

Se o controlo de animais é uma questão de saúde publica, porque não existe um sistema publico de esterilização?

Porquê?Porquê?

Eu não posso ter de trabalhar para pagar a porra das facturas ao final do mês e ainda ter tempo para andar a procura da colónia de gatas que são precisas esterilizar.

 

Não há pessoas desempregadas? 

 

Eu já nem digo que esterilizem de graça. Mas pelo menos planos de sensibilização/educação.

Aquelas pessoas que (e graças a deus) cuidam e dão comida a estes gatinhos de rua são os únicos que podem ajudar no controlo de nascimentos de gatinhos.

São os únicos em quais os animais confiam.

Mas eles não sabem...eles pensam que é a lei natural, que coitadinhos vão ser operados....

 

Não tenho conta para os gatos que existem naquele bairro tão pequeno.

Estou especialmente cansada de não ver nenhuma politica (social) realmente focada em controlar a população de felinos e caninos pelas ruas.

 

Não há veterinários para estagiar?

 

Não podemos usar os canis municipais para alguma coisa relevante a longo prazo ao invés de fechar animais em jaulas?

 

Estou esgotada.

Respira.

 

12
Jul16

Amor

Hoje apetece-me escrever sobre amor, Amor, AMOR.

 

Há dias que sinto mais necessidade de me apaixonar intensamente.

Principalmente quando vejo a felicidade alheia de casais amigos.

Aliás, parece que só me dou conta que gostava de namorar quando vejo namorados felizes ao meu lado.

Caso contrário suporto bem a solteirice.

Nunca fui mulher de relacionamentos, mas sou mulher de relações.

 

Tantas, ora de amor, ora de amizade, ora de paixão.

Tinha um professor que me chamava a eterna apaixonada. Porque sou mesmo isso...apaixono-me facilmente e adoro apaixonar-me.

Mas depois e normalmente o que acontece é precisamente que não sou correspondida.

Não sei ser misteriosa, não sei não dizer o que sinto, não sei fazer-me de difícil.

Para quê fingir? Quero viver as coisas intensamente e não ás pinguinhas. 

Infelizmente este estado de espírito não tem trazido resultados, e se não estou bem como estou é porque tenho de mudar alguma coisa em mim e no que faço.

 

Neste momento estou a adoptar uma postura menos apegada. Não dar demasiada importância, não falar muito, não ligar no dia seguinte, dizer que não a alguns convites. O estado nem demasiado assado, nem cru. Manter sempre o mistério.

Já escolhi a minha presa para testar esta táctica.

Perfil: solteiro, não é apaixonado por mim e saiu de uma relação há pouco tempo (o que significa que ainda pensa na ex e não está muito disponível para amar de novo).

É um bocado assustador, mas infelizmente só consigo obter confiança em mim quando consigo que alguém se apaixone por mim.

 

E depois digo adeus.

É como se me alimentasse das almas apaixonadas que caem na minha teia.

Do saber que ainda sou desejada.

Ganho força com isso e depois vou atrás das minhas verdadeiras paixões. Como estou com o ego saciado custa-me menos ser rejeitada.

E se doer muito, começo o ciclo novamente.

Sei que não consigo jogar este jogo muito tempo, mas para já é o único que funciona comigo.

 

 

08
Jul16

A primeiro sessão

Depois de 20 minutos a tentar estacionar, lá chego eu, cansada mas feliz. Naquele dia estava particularmente alegre. Estava um dia de sol espectacular e até conseguia sorrir, mesmo pensando que era uma troll por aceitar ir á terapeuta.

 

Toca a chegar, a cumprimentar quem não me responde (sim porque eu continuei).

Vou ao balcão para pagar a consulta, a senhora recepcionista atende o telefone e eu aproveito aqueles minutos para dar uma espreitadela pela agenda das consultas.

Eis senão quando o meu espanto de ler coisas como:

"João Maria de XXX - (filho do Eng. Eduardo de XXXX"

"Martim XXXX - (é medico, não se cobra consulta)"

"Eng. Constança XXXX - (filha do Eng XXXX)"

 

Pronto, percebi logo onde me fui meter. Pessoal que não sabe o que fazer com o dinheiro que tem e então acham graça ir gastar 100€ para poderem dizer palavrões e tratar alguém por "tu".

 

Ok, pára lá de ser arrogante sff.

Entrei no gabinete, mesmo cheiro a tabaco.

Desta vez vinha prevenida, caso ela começasse a fumar eu ia dizer logo que também queria. Seria uma boa forma de testá-la.

Entrei, esperou que eu falasse.

Enquanto eu falava ela escrevia, sempre com os seus tremores e eu a ficar desconcentrada.

 

Sabia lá como se fazia aquilo, nem nunca tinha ido a uma terapeuta, nem gostava, nem tinha nada a ver comigo.

Já estava lá obrigada, contrariada, porque os pais queriam muito. Porque a sociedade diz, que se a menina tem problemas de ansiedade vamos fechá-la numa sala com uma pessoa que ela nunca viu à frente e que a vai ouvir e por à prova com palavras estranhas e argumentos vendidos num livro.

Ok, bora lá, se calhar é só o meu preconceito a falar.

Contei-lhe coisas, não tudo. Ela ia perguntando e eu ia respondendo, com a energia controlada. Ah pois...tínhamos de estar em sintonia e ela estava misteriosa, não podia dar logo tudo.

 

Ela escreveu durante 1 hora e 30 minutos sem nem olhar para mim.

Pergunta-me "Posso fumar?" e eu respondi "Pode, mas eu posso fumar também?"

 

Pumba, notou-se que naquela fracção de segundos ela não soube o que responder.

Disse-me que sim (com um nó na garganta...muito nariz para o lado tipo olha-me esta gaja, daqui a nada 'tá-me a pedir um uisque com duas pedras de gelo.....)

 

Começou a falar e deu-me o veredicto dela. Resumindo : sou extremamente arrogante.

Já o tinha ouvido antes e até é uma coisa que tenho vindo a trabalhar, porque não gosto de ser assim.

 

Deu-me um trabalho de casa que também não me surpreendeu, o que gosto e não em mim e o que gostaria de mudar.

Como me tinha despedido tinha tempo que sobrava para fazer isso.

Praia, esplanada, café, cigarro, livro. Não fosse isto no Estoril e quase me sentia uma Carrie Bradshaw verão deprimente.

Ok, escrevi e adorei escrever, gostei do exercício, do sol, do empregado de mesa, de não ter nada para fazer senão viver aquele momento, do cigarro, do café enfim...

Levei então até à próxima consulta o meu caderno (quase diário) com coisas muito intimas sobre mim.

Ora bem, sendo algo muito precioso para mim, espero obviamente que a terapeuta oiça com muita atenção....e carinho... e que conversemos sobre mim e sobre o que escrevi com toda a paz, amor e serenidade...

Bom isto fui eu a imaginar a cena, claro que, volto a chegar lá, volta a a estar lá outro smurf que não responde ao meu bom dia e boa tarde, volta a estar lá a senhora com cabelo curto, magra, com tiques esquisitos, a fumar...e a minha energia a ser sugada.

 

Desta vez deu para confirmar a minha teoria do cigarro. Ela já nem me pergunta nada e saca do cigarro e começa a fumar. Claro..obvio...não queria dar-me abertura para que eu fumasse também. Coitada.

E eu só pensava: pago 100€ e nem fumar posso? mais valia ir beber um copo ao cais, saia de lá mais feliz.

Bom, li aquilo que escrevi, ela lá falou de uma ou outra coisa que considerou relevante e discutimos momentos marcantes da minha vida. Nomeadamente o assunto: emigração.

É um tema muito sensível para mim e com o qual tenho pouca abertura para discussão. Fui eu que vivi aquilo. End of story. Não foi ela. Como é que ela me pode dizer que aquilo que eu senti, durante meses e meses...eram coisas a relativizar?

Eu sofri imenso estando fora do meu pais sozinha, com pessoas que não eram minhas amigas, sem qualquer laço afectivo, sabe lá como é ....

Ok, já tinha o que queria, ela não era para mim.

Saí de lá pior do que entrei. Parecia que tinha sido atropelada por um camião. Cada tiro cada melro, porque eu sou isto e sou aquilo e sou arrogante e quero que os outros gostem de mim, mas não digo a ninguém bla bla bla e o mundo não gira á minha volta e que eu faço birras e por isso é que ninguém quer saber de mim lalalalalala

 

Vá lá miúda...porque raio pensas tu que lá pelas pessoas passarem tempo juntas se têm de relacionar? mas tas tola? isso é tudo coisas da tua cabeça. Lá por elas terem sido a tua unica companhia durante meses e meses isso não quer dizer que elas tenham de ficar tuas amigas....Deal with it.

Isso era o que queria ter ouvido.

 

Anyway decidi: Ok, vou-lhe dar até ao final destas 10 sessões, que se lixe, perdido por 100...

 

08
Jul16

A Terapia

Decidi criar o blog por terapia. Preciso de escrever. Essa é a razão numero um.

A outra razão é porque no outro dia pesquisei no google "Como saber quando deixar o terapeuta" e não houve nenhuma resposta á minha pergunta. Não, eu não queria uma resposta, na realidade queria apenas sentir que não era a única a sentir-me assim.

Com este blog eu espero que algumas das pessoas que como eu buscam respostas que não existem, aqui se possam sentir acompanhadas. 

 

 

Um à parte-----(se fizer uma pessoa rever-se no que escrevo já tenho uma vitória.Vá, e um "Boa obrigado 'tava mesmo a precisar ler estas coisas". Ok pronto, podem só gostar sem comentar....)-----fim do à parte.

Continuando....

Estava a procurar no google de uma justificação para deixar a minha terapeuta onde estou a apenas 1 mês.

"A querer deixar a terapeuta?? mas 'tás louca? Uma mulher tão culta, tão conhecida, tão recomendada que ainda por cima cobra 100 euros por uma hora de "terapia" ? Mas quem és tu??"

 

Sim, isto era o que a minha consciência me dizia. Na realidade é assim que me sinto quando lá vou. Diminuída.

 

Não gosto de lá ir. Não gosto do sitio, do cheiro, das pessoas que lá vão que são todas estranhas, sem brilho nos olhos, que não cumprimentam quem passa num espaço de 10 m², desviam o olhar, fingem que não estão lá. Só não se escondem por vergonha sabem?

Nem queria falar da empatia que não tive com a terapeuta, porque não gosto de ser banal, mas isto da empatia tem de ser tida em conta.

Ela está a ver a parte mais sagrada de mim (se eu deixar claro, mas se vou lá tentar é para tentar á seria), o "Eu" que nem ás paredes confesso... Tenho de ter empatia pela pessoa. Tenho de olhar para ela e sentir que de certa forma (não sei bem como à primeira vista) ela pode ser um modelo a seguir.

Na realidade não senti.

Mal a vi, o primeiro impacto foi...wooo não diria que esta senhora era terapeuta. Então...cabelo curto pente 2, oculos com muita graduação, com um aspecto cansado e rugoso, esquelética e com tremores.

 

 

Estão a visualizar? Óptimo.

 

 

Até aqui, nada me diz se ela é boa ou má terapeuta, se é simpática ou não, estou só a julgá-la pelo aspecto naqueles 2 segundos em que a minha mente cheia de pré(conceitos) tenta repassar as categorias onde rapidamente encaixo as pessoas que vou vendo à minha frente.

Quando me sentei no gabinete percebi o cheiro a tabaco. Olhei para a decoração, para as entradas de ar, ouvi a musica e olhei para ela.

 

Perguntou-me o que me trouxe ali. Queria poder ter respondido a minha piada do momento "as minhas pernas".AHAHHA ok...

 

Eu em esforço lá fui explicando. Só me apetecia era perguntar-lhe como é possível ela cobrar 150 euros pela primeira consulta?! Mas expliquei.

No meio das perguntas e respostas perguntou-me se dormia bem. Eu disse que não dormia bem, que acordava a meio da noite etc.

Disse-me que poderia estar com uma depressão (ok...).

Perguntou-me se estava disposta a fazer esta viagem de auto-descobrimento. Disse-lhe que sim, porque não? vou tentar á seria, apesar de tudo o que o meu instinto animal me diz sobre isto não me "cheirar" bem, vou tentar.

Passou-me um medicamento. Logo eu, odeio químicos, odeio comprimidos, industria farmacêutica eishhh...

Lá fui embora para casa sempre a pensar, é agora que vou dizer a alguém que realmente não senti a "química". Mas não fui capaz. Não disse a ninguém que não acreditava naquilo. Ficou para mim.

Ansiosa estava eu pela primeira sessão. Vai ser a desforra, pensei eu.