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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

10
Abr18

1ª consulta de psicoterapia - Modelo de Análise Bioenergética

Depois do contacto telefónico e uma primeira consulta para nos conhecermos lá foi marcada a primeira sessão: 05 de Abril 2018.

 

Combinámos fazer um mínimo de 6 sessões e avaliarmos à posteriori o estado da calamidade.

 

Cheguei ao consultório depois de um dia de trabalho cansativo e com a paciência igual a zero, mas, disposta a tentar.

Durante a préconsulta fiquei sempre sentada no chão e nesta já esperava que fosse igual com o adicional de poder fazer alguns exercícios pelo que levei a roupa mais confortável possível.

 

Sentei-me em frente à Dra. e ela pede-me para respirar fundo, fechar os olhos e imaginar-me com 6 anos.

 

"Pronto" pensei eu, "Está a tenda armada, mais uma maluquinha das regressões".

 

É que seja por falta de prática\desconhecimento ou por cepticismo, quando fecho os olhos e respiro fundo a única coisa que me vem à cabeça são as minhas finanças.

 

É que fico logo nervosa a sentir-me um alien e a pensar que tenho algum problema...

Mas esforcei-me.

Estive ali uns minutos a tentar varrer o meu balancete e a chamar a minha infância.

Não consegui.

 

A Dra. indicou-me então que pegasse numa situação que ocorresse diariamente para avançarmos a partir daí.

Qualquer coisa, a primeira que me viesse à cabeça.

Numa ultima tentativa só me ocorreu uma coisa.

 

Raramente jantava em família e mesmo quando estavam todos em casa eu fazia sempre birra para comer em frente à TV a ver os desenhos animados.

Como só tínhamos TV na sala, implicava eu ficar sozinha na sala a comer e o resto da família (onde incluía avós e país) na cozinha.

 

Foi essa situação que escolhi: o jantar.

Pois bem, fechei os olhos, respirei e visualizei.

Até aqui tudo ok, fui partilhando as memorias que me vinham à cabeça enquanto respondia às perguntas que a Dra. me fazia.

 

As perguntas tinham sempre a ver com a forma como aquilo que ia visualizando me afectava e as emoções que me provocava.

 

Estivemos neste jogo durante uns minutos até que ela me pede para me levantar e, utilizando as almofadas espalhadas pela sala representar a minha família na mesma disposição em que jantavam na cozinha.

 

Pediu-me depois para eu me sentar no chão, imaginando que estava na sala.

 

Confesso que fiquei desmoralizada.

Para mim, na minha cabeça era uma autêntica palermice fazer aquilo.

Fiquei novamente desconfortável com a situação, no entanto, encarei a personagem.

Estive uns minutos em silencio a tentar relembrar-me da disposição das pessoas.

 

Sentei-me e fui novamente descrevendo aquilo que acontecia e respondendo a perguntas.

A certa altura a Dra. pediu-me para me comportar não como foi, mas sim como eu gostaria que tivesse sido.

Como eu gostava que fosse a "minha hora de jantar perfeita", aos 6 anos.

 

A partir daí começou um verdadeiro teatro que me atravessou totalmente os filtros e me descalçou a bota de Velha do Restelo.

Senti-me estúpida, ridícula e desesperada.

 

"Como assim fingir que a minha família são almofadas e ter de interagir com elas?"

Falar para o vazio foi-me impossível.

Por esta altura já estava a transpirar e a ficar frustrada.

Para mim esta consulta estava a ir pelo caminho de todas as outras: um falhanço autêntico e mais uma tentativa de me extorquírem dinheiro.

 

A minha vontade não chegava a tanto.

Não estava a conseguir dizer nada.

Olhava para as almofadas e só me dava vontade de rir.

A Dra. então ao ver-me sem resposta decidiu sentar-se à minha frente e começou a desenrolar o papel de cada um dos membros da minha familia.

 

Nesse momento, olhando nos olhos dela e a forma como ela tão objectivamente falava para mim, a risada evaporou-se.

 

Começamos numa troca de galhardetes que quase pareciam reais.

Depois de estimulada teletransportei-me imediatamente.

É incrível como estava tudo tão mais claro do que aquilo que via.

Começou primeiro a comportar-se como minha mãe.

Não como a minha mãe se comportaria segundo a minha memoria, mas de acordo com a forma como eu queria que ela se tivesse comportado.

 

Na verdade é que assim que ela começava a interagir comigo eu respondia imediatamente, sem pensar, sem fazer força, sem fingir.

Parecia que aquele dialogo estava ali pronto para ser usado há anos.

Fiquei impressionada.

Deixei-me ir, larguei as correntes e continuei a fazer os exercícios muito mais facilmente.

 

Apercebi-me então ali que tinha mais "bloqueios" do que aqueles que realmente pensava ter.

Fomos entendendo isso as duas, pouco a pouco, abordando temas que nem eu sabia ter.

 

Durante a sessão seguimos um conjunto de interacções fictícias cujo objectivo era sempre reestruturar emoções associadas aquelas vivências.

Primeiro visualizava como tinha sido e sentia novamente as emoções menos boas, depois reproduzimo-las da forma como que queria que tivessem acontecido.

 

Como tudo, a primeira sessão é um completo tiro no escuro, são muitas pontas soltas por abordar e muito trabalho que ainda há por fazer.

Continuo a ter dificuldades em visualizar seja o que for, mas estou mais tranquila porque na verdade estou surpreendida.

Ganhei um respeito diferente pela abordagem.

 

Ao contrario de outras tentativas de psicologia\psicoterapia, estou realmente curiosa e com vontade da próxima consulta.

Será amanhã.

 

 

3 comentários

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    Podenga 16.04.2018 09:50

    Olá Cátia :)

    Neste momento estou precisamente na fase de "emoções zero".
    Sinto-me uma falsa alarmista em que numa hora estou de rastos e a hiperventilar e por isso procuro uma psicoterapeuta e de repente quando me vejo na sessão é como se tudo desaparecesse sabes?

    Tento levar a sério os exercicios mas sem rumo...Na ultima consulta fizemos um exercicio de dançar com mãos por exemplo. Eu durante o exercicio pensei mais tempo o quão ridicula eu estava a parecer do que propriamente nas emoções que me proporcionavam os movimentos (zero).
    Por situações como estas (ainda que saiba que é uma análise precoce), sinto que estou a não aproveitar ou a não levar a serio a terapia, mas de facto aquilo que eu esperava era que fossem exercicios que trouxessem ao de cima sensações quase inconscientemente, mas não, parece que tenho de esforçar\fingir\saber como ir buscá-las.

    Faço-me entender?
    É-me dificil até explicar-te o que sinto.

    Ó São Tomé, a ilha que me marcou o coração também a mim (até pensei ir para lá viver).

    Obrigado pelas palavras
    Beijinhos
    Podenga
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    Cátia A. 18.04.2018 18:42

    Compreendo perfeitamente. Eu quando lá cheguei também não sentia nada. O problema é esse. Enfermeira há 14 anos, com uma série de eventos ao longo da vida que me tinham magoado tanto, então o melhor é não sentir nada, para não voltar a doer. Simplesmente, o facto de não sentirmos nada para não sentirmos o mau, também significa que não sentiremos o bom. E o corpo, as emoções, os sentimentos, são o nosso guia para as escolhas. Não é o nosso cérebro. Quando sentimos medo, a primeira reação é fugir. Não é mental, os nossos sentidos orientaram-nos inconscientemente para a fuga, para a sobrevivência.
    Não te sintas ridícula. Aproveita as sessões com a fé que irão levar-te a algo de melhor. Ali, não há julgamentos! Ainda é precoce para a criação de uma relação de confiança com a tua terapeuta. Mas não desistas. Por ti! Por uma vida melhor!
    Temos uma série de macaquinhos no sótão adquiridos ao longo da vida, crenças limitativas que nos condicionam as escolhas e o comportamento ao longo da vida. Há que desfazer esses mitos e expandir a consciência! Olha que eu também era céptica, agora sou do mais crente que há :)

    Beijinhos!
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