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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

23
Mar17

Traição

Saio para a rua e tento não pensar

Na cara da minha namorada 

Não vale de nada

Eu sei

Estou consciente do que quero

Amo-a

Mas não espero

Por ela

Sou homem

Tenho necessidade de preencher o meu ego

Praticando sexo com desapego

Regular

Não é opcional

É obrigatório

No meu escritório

Registam-se as chamadas dela

Que como a Cinderela

Acaba abandonada

Na madrugada

Que eu pontualmente

Escolho

Recolho

Os vestígios finais

Batom, perfume, mensagens

Os tais

Que ela busca e eu sei

Não pensei

Que houvessem mais

Esquecido

Do papel fundamental

Que na pressa guardei

No pior local

Acabo

Por terminar

Sem como justificar 

Uma ida ao hotel

Paga com o meu cartão de crédito

Inédito

Num dia de trabalho comum

Fiquei sem nenhum

Argumento

Só me resta encenar

O amigo

Que encobre

Um adultério

Mistério

Que não posso revelar

Sossega mas não acredita

Grita

Exigindo a verdade

Cobarde

Começo a chorar

Não sei lidar

Com o sofrimento dela

Não contava

Que fosse acabar assim

Agora 

Garante-me ela

Não estará mais à minha espera

Terei todo o tempo para mim.

 

 By: Podenga