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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

21
Nov17

Porque eu sinto saudades dele e ele não sente minhas? Amor em velocidades diferentes

 

Pois bem.

 

Estive a pensar sobre porque fico tão ansiosa quando alguém que eu gosto não me manda mensagens etc.

Até que sinta que a pessoa está "segura" sinto-me eu insegura.

Isto é, ando ansiosa e desesperada porque pessoa X não me diz nada há não sei quantos dias\horas, mas depois quando diz todos os dias eu já não quero que diga.

Same old same old.

 

Pois bem, nem todas as pessoas vivem a vida com a mesma velocidade\intensidade.

Não quer dizer que o sentimento não esteja lá.

Simplesmente eu sinto tudo com maior intensidade.

Enquanto que a outra pessoa vai ao seu ritmo, tranquila da vida, apreciando cada momento, eu pareço um cão ansioso por ir a rua que nem vai buscar a bola com tanta vontade que tem que o dono abra a porta.

 

Eu acabo até por nem apreciar o momento porque já estou a pensar no próximo.

E depois começo a cobrar à outra pessoa coisas que não tenho de cobrar, porque são coisas que ela não me prometeu, mas sim expectativas que eu criei. 

Same old same old.

 

Mesmo sabendo isto tudo ainda continuo a bater com a cabeça na parede sempre que, por exemplo, passo um fim-de-semana fantástico com alguém e essa pessoa só sente necessidade de me ver passado uns dias...

Não! Não! Quero mais e mais e sempre mais até me saciar e ficar empanturrada da pessoa.

Não consigo ir devagar e gostar às pinguinhas.

É tudo já e de uma vez.

 

Calma, respira. Vais assustar as pessoas sabes disso certo? Pronto.

Portanto desenvolvi algumas técnicas para me acalmar quando estou assim vidrada e focada numa pessoa que são:

 

  1. Faço audios\videos para mim própria a explicar porque me sinto assim, a dar exemplos de outras situações em que eu criei histórias na minha cabeça que depois vieram-se a verificar-se não ser nada daquilo. Depois vou ouvindo durante o dia até me cansar. É como se eu sofresse de amnésia e todos os dias tivesse de me relembrar quem sou.
  2. Saio com pessoas novas limpas de dramas e historial, cuja energia ainda não absorvi. Sabe bem ouvir histórias diferentes das do costume. Reencontrar velhos amigos, pessoas com quem já não estou há muito tempo. Relembrar velhos tempos. Boas energias.
  3. Abro uma garrafa de vinho e danço. Dançar com um copo de vinho é um dos meus rituais de eleição quando o coração começa a bater demasiado rápido para o meu gosto. Descontraio, visto uma roupa confortável, ligo as colunas, ponho uma musica que gosto, aprecio o vinho e a musica, danço como se tivesse a suar as más energias. É um exercício que comigo resulta bem. Problema: o vinho não fala.
  4. Escrevo poemas, prosa, coisas que nem publico sequer. Aqueles textos que começam tipo "sabem quando vos apetece matar uma pessoa?" e depois penso..."Vá lá, não vais publicar isto, senão ainda vão acreditar". Escrever também me limpa a alma e acima de tudo faz-me pensar numa forma de passar os pensamentos a palavras e esse processo ajudam-me a domar os sentimentos ferozes que por aqui se passeiam.
  5. Vou beber um copo sozinha a um sitio qualquer, preferencialmente que tenha balcão para poder estar lá sentada a falar com o barman\women. Esta opção só uso em caso extremos, tipo quando até já eu estou cansada de mim.
  6. Lides domésticas e afins. Fazer um quadro de conchas, ou um vaso de flores de plástico, arrumar a casa, limpar os vidros. Qualquer coisa que me canse fisicamente e exija concentração.

 

Se depois disto tudo ainda continuo a olhar para o telemovel?

Sim, mas pelo menos já não tenho o coração a mil...