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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

23
Jun17

Não te limites, Não te deixes catalogar!

Uma coisa que é bom sempre ter em mente é a belíssima frase "Na boca dos outros tu és o que eles quiserem"

 

A partir daqui, a escolha é nossa se queremos ficar ou não afectados com o que os outros pensam sobre nós.

Outra coisa importante a reter é: é certo ser-se livre e ser-se quem se quiser ser, mas sem pisar a liberdade do próximo.

 

Muita gente confunde ser livre com não haver limites para nada.

Há sempre o limite do respeito pelo direito do próximo.

 

Liberdade não significa não sermos responsáveis por aquilo que cativamos, mas sim estar plenamente consciente de que aquilo que fazemos não interfere na liberdade dos outros, mas sim na nossa própria.

 

Outra coisa que é importante é que não nos limitemos por filtros que nos foram impostos pela sociedade.

Ou até filtros que não são os nossos.

Às vezes escutamos tanto uma coisa que mesmo sem querer quase que passamos a acreditar nela.

 

Uma ideia não é mais verdade se for dita mais vezes!

Tentar encaixar cada acção num nome, num comportamento tipificado etc é trabalho ingrato.

Cada um tem a sua motivação para praticar uma mesma acção.

Com isto eu quero dizer, e sendo mais concreta, que muitas vezes existem pessoas que criticam os outros por serem incoerentes na forma como levam a sua vida, mas isso não é necessariamente assim. Não temos de ser preto ou branco. Podemos ser cinzentos.

E não temos de nos limitar pelas limitações dos outros.

 

Um exemplo que ocorreu comigo:  acusaram-me de ser feminista quando me convém e machista quando me convém.

 

Porque tanto condeno homens que me exigem que saiba cozinhar porque sou mulher e ao mesmo tempo gosto de homens que se ofereçam para pagar a conta.

 

Para mim, seria estranho era eu não correr atrás dos meus interesses. Não é o que é suposto eu fazer? Cuidar de mim?

Se os outros chamam feminismo e machismo isso pouco me importa.

Não quero nem tenho de carregar esse fardo.

 

Aquilo que eu faço com a minha vida e aquilo que os outros aceitam fazer comigo é coisa minha e deles e de mais ninguém.

Eu tenho todo o direito de recusar sair com um homem uma segunda vez porque ele não se ofereceu para pagar o jantar da primeira vez.

Tal como ele tem o direito de não sair mais comigo porque eu não me ofereci para pagar o jantar da primeira vez.

 

Aquilo que eu não posso fazer é de alguma forma minimizá-lo ou menosprezá-lo pela acção que ele teve (ou não teve).

Apenas não vai de acordo com as minhas expectativas, mas com certeza irá de acordo com as outra pessoa. Tudo certo.

 

Respeito-o, ele respeita-me, a vida segue.

 

O que as pessoas fazem mal é que pregam ideais, conceitos, condutas que defendem com unhas e dentes e depois percebem que afinal não podem ser assim tão rectas na vida e acabam a dispersar com comportamentos opostos.

 

São descredibilizados e a real interpretação dos acontecimentos vai ser feita de uma forma errada.

Vão ser misturados conceitos, vai ser gerado mais preconceito.

Esta questão das relações que é uma questão que me interessa particularmente é para ser visto dentro do seio de cada casal.

 

Não tem de vir o machismo e o feminismo fazer parte da historia, mas sim tem de se garantir que as pessoas envolvidas são ambas felizes e realizadas com a relação que têm. É apenas e só o que importa.

 

Eu já tive uma relação com um homem que não tinha capacidade financeira para frequentar os lugares que eu gostava e nem pensava duas vezes em pagar-lhe o que ele consumisse. Paguei, muitas vezes e durante muito tempo e pagaria de novo.

Porque o prazer que me dava tê-lo comigo era mais do que o meu dinheiro comprava.

E de forma pratica, se eu não queria, vamos supor, jantar, nos sítios onde ele podia ir, então cabia-me a mim decidir se queria pagar e ir onde gostava ou não pagar e ir onde não gostava.

 

Procuramos uns nos outros aquilo que necessitamos. 

Inconscientemente filtramos pessoas para cada ocasião, para cada partilha, para cada viagem.

Uma relação é um acordo que ambos assinam para seu próprio proveito.

 

Não tem de vir um terceiro dizer que é errado ou certo aquilo que lá se passa.

Tentar catalogar, meter tudo dentro do mesmo saco.

As únicas vozes que devemos ouvir é a da nossa consciência e da pessoa que está connosco.

 

O resto é ruído.