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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

27
Set17

Não quero morrer sozinha

Ontem eram 00:30 quando uma forte dor de estômago me acordou.

Para quem já teve uma gastroenterite ou intoxicação alimentar foi uma sensação desse género.

Dores incapacitantes apoderaram-se do meu corpo e percebi que possivelmente me tinha parado a digestão.

 

Entre suspiros para aqui e maratonas entre cama e casa-de-banho lá me passou o ataque.

Enquanto aquilo acontecia questionava-me se devia ligar aos meus pais para me levarem ao hospital porque parecia que ia morrer ali na cama.

 

Lembrei-me também do episódio do sexo e a cidade em que a Miranda compra a sua primeira casa e fica a saber que a ex-proprietária era uma solteirona solitária que morreu sozinha naquele mesmo apartamento.

 

 

Bom, eu não tenho desses presságios já que na minha casa antes vivia uma família, no entanto dei por mim a pensar....e quando os  meus pais não estiverem cá?

A quem vou eu ligar a pedir socorro? A pedir que fique na minha casa a preparar-me um chá?

Serei muito optimista se pensar que também eu terei um clube de amigas como a Miranda tinha se agora que sou jovem e tenho tudo para oferecer ninguém me quer?

 

Pensei também na angustia dos meus pais em terem uma filha sem marido e sem crianças.

O que pensarão eles? "Cuidei tão bem desta pessoa enquanto pude e agora quem cuidará?"

 

Um sentimento de tristeza apoderou-se de mim.

Será que devia casar? Será que deveria pelo menos ser mãe? Quem cuidará de mim?

 

Será que o medo de morrer sozinha com os meus gatos em casa é maior do que a vontade de ter uma história de amor?

 

Depois de muitos exercícios de respiração fiquei bem e acabei por adormecer.

É engraçado como hoje acordei a sentir no fundo do meu intimo uma decepção com os meus amigos que, nem sabem do sucedido.

Claro que se partilhasse isso com eles diriam logo que poderia ligar, mas também é o mais correcto a dizer, não quer dizer com isso que na hora H atendessem...

 

Fiquei a pensar também onde errei.

Porque não tenho amigos?

Porque tenho tanta aversão a grupos?

Porque tenho tantas ideias contrárias à dos restantes?

Porque não namorei mais?

 

Confesso que sei que me isolo muitas vezes por iniciativa própria, sei que não deixei muitas vezes que se aproximassem, sei que sou super divertida e boa companhia e adoro-me por isso, mas será que a imagem que as outras pessoas têm de mim é boa?

 

Será que assusto as pessoas?

Será que por ter sempre o ar de confiante, ninguém sabe das minhas fragilidades?

Será que tenho maior ego que coração?

 

Fui sempre a que dei dinheiro para a vaquinha da prenda do amigo.

Fui sempre a que ficou ao lado da\o aniversariante.

Quando chega a minha vez? Quando também eu tenho alguém a fazer-me algo a mim?

 

Começo a acreditar que a única forma de ser amada da forma que quero ser amada é casar com alguém que me ama e ter um filho.

Só assim (e nem assim) tenho garantias que não morrerei sozinha.

Será que é por isso que as pessoas se casam e têm fihos?

 

Aí vou sentir-me realizada e preenchida, certo?

 

Mas...não haverá maior feito em conseguir ser adorada por quem não seja teu marido ou filho? De quem não seja "família"?

 

Não sei, nunca tive.

Mas uma coisa é certa. À medida que vou envelhecendo, mais sozinha me sinto.

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