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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

14
Set17

Fui a Nova Iorque à procura do Sex and the City

Sou uma imensa fã da série o sexo e a cidade que já vi e revi uma batafurdia de vezes e que continua sempre a parecer a primeira vez.

 

Há tantas coisas com as quais me identifico, tantas situações que pensava serem só minhas quando vejo que há 20 anos atrás aconteciam exactamente igual no "mundo" daquelas quatro mulheres.

 

Faltaram-me agora e sempre as três amigas. Já me conformei com isso. Estava a espera de pelo menos ter um Mr. Big.

Depois de ver que os voos estavam a tão bom preço pensei....se for a pensar no momento certo para ir a Nova Iorque se calhar nunca irei.

Mr Big's já tive muitos, por agora só precisava de um com dinheiro para embarcar nesta maluquice de ultima hora comigo.

 

Portanto: o meu Mr. Big não era o perfeito (romanticamente falando), mas tinha a estabilidade financeira perfeita para garantir o seu próprio sustento bem como garantir que (caso o meu orçamento derrapasse) EU não voltaria para Lisboa sem ter de ir pedir para a Rua Augusta durante o mês de Setemb

Marcamos o voo em Junho para viajarmos em Agosto. Voo da United Airlines, companhia de bandeira, mas que em nada ajudava o meu pânico de voar (sim, ainda tenho aquele sentido patriota de que a TAP é que é).

 

Chegámos ao aeroporto bem cedo, ele entusiasmado porque iria ter (pensava ele) uma semana de sex and the city na verdadeira ascensão da serie, eu porque queria ver ao vivo e a cores os sítios que há tanto tempo via pelo ecrã do meu LCD do século passado e, quanto ao sexo já sabia que não iria estar incluído uma vez que os santos e demónios me presentearam com uma infecção vaginal uns dias antes de ir pelo que estava em tratamento e em castidade.

 

Durante a espera para entregar as malas partilhávamos o desgosto de termos de ir 8 horas num banco que praticamente vai recto (os da UA não movem para trás a menos que se pague uma taxa extra de 160$) quando os mesmos anjos e demónios nos presentearam com um voluntariado fácil de fazer que foi ir em executiva no voo da TAP que partia dali a 2 horas com direito ao Lounge VIP no aeroporto de Lisboa pois o voo da UA estava em overbooking. Neste momento fiz 1 minuto de silêncio pelo pobre senhor que foi arrastado para fora do avião e fui beber champanhe para o lounge.

ANA aeroporto lounge

 

Chegámos a NYC depois de 3 cervejas, 4 copos de champanhe, 5 valiums e 8 horas de sono interrompidas pelo senhor comissário de bordo que simplesmente fingia que não via que eu estava completamente drogada e continuava a perguntar-me o tempo todo se queria isto ou aquilo.

 

Nunca tinha aterrado em NYC mas já presumia que fosse demorar, mas tanto também não, além disso nenhum de nós tinha preenchido o papel de alfandega/declaração de bens que estava na mesa da nossa confortável "cama" de executiva.

Penso que nesse sentido esperava que os comissários de bordo nos tivessem avisado que teríamos ou deveríamos preencher aquele papel, porque depois de estarmos 45 minutos na fila para controlo de passaporte e o senhor nos avisar que sem isso não passavamos é dose.

Toca a encostar para o lado e a ir para a barraquinha dos papeis da alfandega onde não havia ninguém para ajudar, apenas uma mesa com vários papeis (iguais aos que deixámos no nosso assento do avião grrrrr), em varias línguas mas não em português claro, ainda bem que somos poliglotas.

Não tinha também canetas disponíveis e nenhum de nós tinha uma pelo que ainda tivemos de andar a ver quem nos emprestava uma caneta para logo a seguir voltar para a fila (já a suar do buço).

Estimo que demorámos mais de 1:30h para sair do aeroporto entre controlo de passaporte e recolha de bagagem.

 

REGRA 1: Sempre que tiverem papeis esquisitos no avião ou que sejam entregues em mão durante o voo perguntar o que é e preencher se possível no voo porque aí sempre podem pedir ajuda aos comissários de bordo e evitar esta confusão.

 

Adiante.

 

UFF....finalmente saímos do aeroporto, uau que calor abrasador até fumar um cigarro sabia mal.

Humidade tipo 80%, mas who cares estamos em NYC BABY!

 

Bora lá sair daqui e irmos para o hotel que já perdemos demasiado tempo right? right!

Vamos chamar um UBER!

CHAMAR UM UBER!

Sim porque o meu Big é daqueles que trata de tudo portanto eu nem sequer pestanejei quando ele disse que iríamos andar sempre de uber porque sairia mais económico. E de facto era. Tendo em conta que aterramos em Newark e a viagem foram 29$, quando os taxis provavelmente levam o triplo (dependendo do transito).

Mas houve um facto que ele não sabia (nem eu porque ele disse que estava tudo controlado naturalmente) era que a maioria dos ubers são imigrantes com sotaque, que mal sabem usar o gps para localizar o cliente e que ligam 1,2,3 vezes por serviço.

Ora....cada chamada em roaming a uber tirava-lhe cerca de 7 euros do cartão.

 

REGRA 2: Fazer as contas com respeito a UBER VS TAXI.

 

Lá fomos nós para o hotel onde começa a saga das gorjetas. Disso já ia eu bem avisada pois sabia o que tinha passado em Washington ha 3 anos atrás.

Já andava de olho arregalado a ver a altura em que eu teria de dizer "No no thank you", do género "Não, NÃO preciso de ajuda para carregar a minha mala de 200 kg de sapatos cuja alça se partiu porque não te quero dar 2 dólares".

 

Chegados ao quarto para deixar as coisas e o fim de 2 minutos de conversa decidimos ir fazer algo que já há muito não fazíamos: beber alcool!!

UAU

Não, mas desta vez num rooftop fancy do nosso hotel. E não era uma bebida qualquer, era um cosmopolitan.

Mal nos sentamos nas mesas (não são visíveis na foto) veio uma rapariga perguntar-nos o que pretendíamos.

Pedimos o menu e ela pediu-nos um cartão de crédito.

Ficámos...."Han?".

Bom durante a estadia de 5 dias só nos aconteceu neste e noutro bar, nem todos pedem um cartão de crédito como "salvaguarda".

Demos o cartão e fizemos o pedido.

Pelo que pude observar o controlo é menor (ou inexistente) para as pessoas que pedem e pagam as suas bebidas ao balcão e depois as bebem nas mesinhas de pé alto que por lá havia, pelo que acho que o cartão de crédito foi pedido por estarmos sentados numa mesa.

Outra coisa que também notamos foi que sempre que a nossa bebida estava no fim ela perguntava o que iríamos beber a seguir com aquele ar de que teríamos de estar sempre a consumir ou então deixar a mesa e ficar de pé.

Tudo bem, ainda nos sentíamos confortáveis ali. Claro que aprendemos a lição de nunca mais nos sentarmos em mesas.

 

Ficámos lá umas 4 horas porque a musica e a vista o permitiam (se há coisa boa para mim em NYC é que passa hip-hop em todo o lado).

A brincadeira ficou em 95$+gorjeta por 6 cocktails do tamanho de um copo de shot e umas batatas ranhosas.

Nesta altura ainda não nos importávamos...só queríamos viver o estilo sex and the city UHUUUU!!

Bar do rooftop do hotel

Vista do rooftop do nosso hotel

 

 

Combinámos então ir ao quarto de hotel para nos vestirmos com classe e ir curtir a cidade à noite (tão ingénuos) mas como é óbvio o jet lag, os valium e o álcool não nos permitiram tal feito.

Acho que adormecemos vestidos em cima da cama, nem me lembro.

 

No dia a seguir acordo fresca e fofa pronta para o meu grande primeiro dia na cidade (o dia em que ia almoçar ao The Boathouse Restaurant no Central Park - episódio em que a Carrie e o Big caem à agua).

Chego a mão ao despertador e vejo que ainda são....06:00 a.m.

 

 

REGRA 3: 5 noites não chegam para regular o horário biológico por isso recomendo a quem (como eu) estiver de ferias antes de ir para NYC comece a dormir no horário de lá tipo uns....5 dias antes.

 

Chegou -se a hora e lá fui eu com o meu belo vestido Ferrache amarelo e os meus saltos altos (qual Carrie Bradshaw) a caminhar pelo Central Park dentro, cheguei ao restaurante quase com os pés a sangrar pois o uber só nos pode deixar até certo ponto já que não podem circular veículos a motor lá dentro e aquilo de pequeno não tem nada.

Nota:obviamente não iríamos andar naquelas carroças puxadas por um pobre cavalo nem naquelas puxadas por uma bicicleta porque implicaria gastar mais $ e nós já íamos a contar gastar 200$ neste almoço.

 

Quando chegámos senti de facto estar naquele episódio do sexo e a cidade, o sitio continua praticamente igual, as florzinhas na entrada, o lago, as famílias e casais a andar de barquinho, parecia que estava tudo igual ao dia da série.

Reparei que apesar de ser um restaurante caríssimo eu destoava da maioria das pessoas (estavam todas muito casual) pelo que me senti muito mais observada do que estava a espera.

Ainda aumentou mais quando depois de dizermos que tínhamos reserva o senhor nos leva para uma das melhores mesas do restaurante, na primeira linha do lago com vista destapada de pilares. Conseguíamos ver as tartaruguinhas a nadar. 

Estava deslumbrada.

E a comida é deliciosa!

Vista da nossa mesa

Claro que pedi um cosmopolitan

 

Come-se muito bem

 

REGRA 4: antes de irem para NYC convém reservarem os restaurantes antes (isto se fizerem questão de ir mesmo a algum especifico). Os websites têm na sua maioria a hipótese de efectuar a reserva online. Nós reservámos com 2 semanas de antecedência este. Também importa dizer que nas observações da reserva escrevemos que se tratava de um almoço romântico para uma ocasião especial e por isso queríamos uma mesa com uma boa vista sobre o lago (pedido que concretizaram).

 

Saímos do restaurante às 16:00 hora onde praticamente todos os bares e rooftops dão inicio à sua happy hour e por mais cansados de andar que estivéssemos e só nos apetecesse ir dormir para o hotel decidimos ir a um dos rooftops da lista aproveitar o desconto. O 230 rooftop.

Na happy-hour (que ali termina às 19:00) as bebidas têm preços bem mais em conta e sendo que os americanos são dados aos happy hours convém ir mesmo no começo para arranjar um lugar com uma vista boa para o Empire State Building. O cocktail que aconselho é o long island iced tea porque é o único cocktail do menu com mais de uma bebida alcoólica e que de facto vale os 12$, caso contrário, mais vale beberem uma budlight.

Sentámo-nos numas cadeiras à nossa escolha onde estivemos por cerca de 1hora a beber, fumar e conversar até que a casa começou a encher e veio uma colaboradora informar-nos que o espaço do fumadores do rooftop era 2 metros para a direita e que por isso teríamos de ceder o nosso lugar.

 

REGRA 5: Para fumadores, perguntar SEMPRE qual a zona de fumadores, porque apesar de estarmos a fumar há 1 hora naquele local e estarem cinzeiros pela zona (e sendo que o rooftop é todo ao ar livre), de facto os fumadores foram todos acomodados a um canto do rooftop. Nós por sorte no momento em que ela nos despejou ainda conseguimos apanhar bons lugares. Para evitar perder um bom lugar, é melhor perguntar antes onde fica a zona de fumadores.

 

Os nossos long island no 230 rooftop

 

Saímos do rooftop já quase sem sol, fomos para o hotel dormir porque o corpo não dava para mais. Como já calculávamos ter gastos exorbitantes levamos comida na mala (sandes de atum do aldi, barras de proteína...) então comemos uma sandes e adormecemos as 21:00. Simplesmente não dava para controlar.

 

No dia seguinte acordámos com o corpo completamente exausto (e ainda só estávamos lá há 1 dia) decidimos comprar aqueles pacotes hop on hop off porque demos conta que se calhar ficaria mais barato que andar de uber e taxi de um lado para o outro a toda a hora do dia. Compramos da Grey Line por 150 dólares 2 pessoas, 4 dias de viagens.

 

O primeiro passeio que fizemos foi o de DOWNTOWN, visitamos Little Italy, Chinatown, Soho e Times Square.

Nota: Por cada vez que se sai do autocarro os guias que falam ao microfone e/ou o condutor apresentam uma caixa para colocar a Tip e ficam muito ofendidos se não se colocar lá uma notinha. É que é uma coisa que parece ser mesmo obrigatório.

 

Cansados de tanto andar decidimos parar num bar chamado TONIC (perto da Times Square).

Bebemos umas cervejas e gastamos uns 60$.

O bar é de facto agradável mas as meninas do bar podem preferir tirar selfies do que te atender por isso...não esperes fazer amizades ali dentro.

Fomos para o hotel e decidimos ir jantar ao restaurante da esquina que servia sushi.

Gastamos 100$ por 2 cervejas e 25 peças de sushi.

 

REGRA 6: A opção mais barata é sempre a de take away. Uma das cadeias de sushi que tínhamos perto do hotel chamada WASABI era bastante em conta e o sushi melhor do que muitos restaurantes (tipo este que fomos neste dia). Jantar para 2 com bebida fica em 30$ por isso é uma opção a considerar.

 

Comemos e fomos para o hotel, obviamente dormir.

No dia seguinte tínhamos um dia cansativo, iria ser o dia de compras.

 

Levantamo-nos e apanhamos o autocarro da Grey Lane que faz uma paragem na Macy's local que nos disseram ser obrigatório para fazer compras.

Lá fomos nós ver o que de tão bom havia naquele edificio.

 

Macy's vista do autocarro

 

 

 

Quando entrei tive a sensação de estar no El Cort Inglês, portanto cada piso é amplo e as marcas estão por blocos.

Tive também a sensação de preferir ir beber uma cerveja, mas decidi ir à secção de sapatos dar uma oportunidade.

Durante a exposição das colecções das varias marcas encontram-se pequenas divisórias chamadas LAST CHANGE ou lá como se chama, que basicamente são mesmo os saldos dos saldos. Têm modelos de todas as colecções, de todas as marcas, feitios e tamanhos. Tipo feira.

Sapatos da Calvin Klein a 30$ por exemplo.

Depois de experimentar 5 sandálias comecei a ficar frustrada e decidi ir embora. Quando me levantei do sofá reparo que a menina que estava na caixa (eles nestas secções apenas têm um colaborador na caixa) sai do balcão vem ter comigo e pergunta se aqueles sapatos eram meus, eu respondi que sim e ela pergunta se vou levar, digo não, ao que ela me diz "Então podes coloca-los novamente na prateleira sff?"

SAYYYY WHATTTTT??

Eu naquele momento fiquei tão chocada que a minha reacção foi baixar-me, pegar com 1 mão nas 5 sandálias e colocá-las em cima da primeira prateleira que vi.

 

Nota: a secção onde ela me mandou arrumar os sapatos 1º estava tipo feira e 2º foi o tom com que ela falou. Parecia ela uma gerente e eu uma colaboradora da loja.

 

REGRA 7: Não esperem muita simpatia no serviço ao cliente. Sorrisos consigo contar 2 ou 3 e vinham acompanhados de interesse financeiro. Não sei se é pela cultura da tip que está instalada que eles sentem que não necessitam de ser amáveis, não sei se de facto são pouco calorosos por serem uma grande metrópole e já estarem fartos de pessoas, mas de facto fez-me muita confusão a falta de calor humano por ali. 

 

Depois da humilhação que tinha acabado de passar decidimos ir à Century 21, outros dos locais que aconselham a ir para marcas a bom preço.

Aí gostei mais da forma como as coisas estavam organizadas.

Comprei 1 par de Adidas Superstar, 1 par de botas Timberland, 1 par de saltos altos (não sei a marca) e 3 pólos da Tommy Hilfiger ficou-me por 207$, ou seja pouco menos de 200€.

Apesar de considerar que a Century 21 é mais intuitiva, continuam a ser centenas de pessoas de um lado para outro à procura de um bom negócio e por isso se fosse hoje não sei se teria desperdiçado tempo e energia nestas compras pois além do cansaço físico acho que começamos a comprar por impulso e não por haver uma real necessidade. 

 

Para rematar, decidimos ir à Broadway que é uma das maiores ruas de Manhattan pois eu sabia que lá existiam várias lojas como Forever 21 e afins.

Acabei por não gostar de nada na Forever 21 mas gostei bastante de uma loja com coisas BARATISSIMAS e fora do comum chamada MYSTIQUE BOUTIQUE. As roupas são à primeira vista um pouco Kardashian mas vale a pena, principalmente paras as meninas curvilíneas como eu.

Comprei 4 vestidos, 2 calças e 3 tops por 137$. Talvez pareça um pouco caro comparado com o que gastei em sapatos de marca, mas são peças que primeiro parecem mais valiosas do que o que foram e depois não é algo que veja à venda aqui em Portugal.

 

Esgotados mentalmente das compras decidimos passar novamente no Tonic Bar para beber umas cervejas, comer uns nachos e conversar. Foi aí que começamos a ver os primeiros anúncios do combate de boxe MCGREGOR VS MAYWEATHER, combate esse que planeamos logo assistir ali no bar porque sabíamos que NYC ia parar para ver aquele acontecimento e seria giro por um lado pelo combate em si e por outro assistir aquela sinergia que vemos nos filmes dos sport bars cheios de pessoas a assistir a estes eventos desportivos.

Saímos do Bar e decidimos levar sushi o Wasabi para o hotel e comermos pelo quarto.

O dia seguinte iria ser sexta-feira - a nossa primeira saída à noite em NYC - pelo que teríamos de ter um dia mais calminho.

 

Acordámos e era a minha vez de ir buscar o pequeno-almoço (como acordávamos cedo íamos sempre buscar pequeno almoço e comíamos no quarto). Lá fui ao Starbucks comprar 1 latte, 1 expresso, 2 tostas de queijo e 2 croissant. Para terem noção isto custou 27$. Quase o mesmo que o jantar do Wasabi no dia anterior.

 

Papinho cheio e porque sabiamos que o dia teria de ser calminho decidimos ir visitar a casa onde foram gravadas as cenas da Carrie.

 

Perry Street 66.

Confesso que já ia preparada para o facto de ter uma corrente impeditiva de passagem pois já tinha lido num blog mas fiquei muito desiludida com o que vi.

Tanto que nem tive coragem de tirar foto de tão desfigurada que está a entrada.

Penso que os inquilinos mesmo colocando uma corrente no inicio das escadas as pessoas continuaram a passar para tirar fotografias pelo que devem ter enchido as escadas de plantas para desfigurar o local. 

Para mim resultou, nem tirei foto à porta. Mas os 30 minutos que fiquei sentada na porta do lado deu de facto para entender o corropio que é aquela rua. E só lá estive 30 minutos, imaginemos quem lá vive.

Para terem uma ideia. Olhando para a foto de baixo imaginem 30 vasos com gigantes plantas quase nem se consegue visualizar os degraus.

 

Saímos de Perry Street para o hotel e decidimos ir descansar porque iríamos ter uma noite (finalmente) agitada.

Decidimos ir jantar a um sports bar a 500m do hotel com comida e bebida diria bom preço\qualidade.

Tem um pequeno terraço no ultimo andar, que não fomos porque para jantar fica demasiado confuso entre pessoas a falar cheiro a comida e a tabaco decidimos comer ao balcão.

Confesso que deve ter sido o local que fomos onde os empregados eram mais simpáticos.

Recebemos um sorriso desde o porteiro ao momento de pagar.

Infelizmente não guardei como favorito no yelp e por isso não tenho forma de saber qual o nome do bar.

 

REGRA 8: Para achar bons restaurantes utilizar a aplicação YELP. De todas as vezes que decidiamos "comer pelas redondezas" procurávamos no yelp algo próximo com os critérios pretendidos e pelas decisões que tomamos face às fotos ou opiniões dos utilizadores sempre nos demos bem e de acordo com o esperado. O problema em Manhattan é encontrar rede WI-FI gratuita.....

 

Noite!!!!!!!!!!!!

Decidimos ir sair para o Sky Room (rooftop ao lado do nosso hotel). Perguntámos na porta se havia sítios de fumador ele disse-nos que havia um terraço para fumar. Para mim foi free ele pagou acho que 20 dólares sem consumo.

Chegamos lá acima e fomos direitos à zona de fumadores que percebemos que era basicamente uma varanda onde a musica mal se ouvia...

Decidimos então ir explorar o local. Parecia que alguém tinha alugado um apartamento para fazer uma festa. Só via sofás e pilares.

Nem vi onde estava o DJ.

Passado 15 minutos decidimos sair e ir ao rooftop do nosso hotel.

O bar do rooftop do nosso hotel tem uma área ao ar livre muito grande onde se pode fumar, beber, comer e ouvir perfeitamente a musica já que todo o terraço tem colunas.

Não pagámos entrada porque éramos do hotel.

Estava a abarrotar, musica sempre hip-hop, rnb, e alguma musica latina pelo meio.

 

Ainda tentei dançar umas 2 ou 3 vezes mas sem sucesso porque simplesmente fiquei a assistir os espectáculos de twerk que algumas meninas deram durante a noite.

Existe uma liberdade enorme dentro dos clubs, tanto à forma de dançar, quanto à forma como te vestir (e giro ver a mistura de estilos).

Posso dizer que haviam pessoas de fato, havia um rapaz de barba com saltos altos e um vestido de veludo, havia os chamados "gangster", havia uma menina (a do twerk) que foi de salto alto e conjunto de ginástica.

Podes vestir-te como quiseres, dançar como quiseres e isso é bom. Eu é que parecia uma saloia a olhar para aquele abanar de rabos porque simplesmente não estou acostumada a ver alguém dançar tão bem twerk ao vivo não é verdade....

 

Saímos da discoteca eram umas 3:30 da manhã. Pareceu-me que a "cidade que nunca dorme" não é bem assim, pelo menos no verão.

Lá os clubs fecham as 04:00 e por mais que procurássemos alternativas para o "after party" não parecia haver muitas e as que haviam era longe pelo que fomos dormir com a sensação de "soube a pouco".

 

Sábado 26 de Agosto, programámos a nossa visita à parte norte de Manhattan. Nesse dia estávamos tão cansados que nem saímos do autocarro.

Arrependo-me um pouco de não ter saído em Harlem mas também seria apenas para gastar mais dinheiro que naquele momento era muito precioso.

Às tantas passamos por um edifício que me chamou a atenção.

Disse para o meu Big "foi aqui que a Carrie foi deixada, googla, googla!", coitado ele nem entendeu o que eu disse, mas googlou.

Para quem é amante do sexo e a cidade não se esquece do sofrimento estampado no rosto da Carrie quando ela recebe o telefonema do Big a dizer que não vai casar.

Ele diz-me "sim tens razão, a cena foi filmada ali na New York Public Library.

Eu disse-lhe "vamos sair na próxima paragem, tenho de ir lá!"

 

Eu acho que foi aí que ele tomou consciência do quão maluquinha eu era por aquelas personagens.

Lá fomos nós, lá começou a sessão de fotos (e graças a Deus PODE-SE tirar fotos dentro do hall).

 

 

 Agora as minhas...

A pensar no que terá a Carrie sentido

Hall visto dos olhos da Carrie

Depois da voltinha pela biblioteca, do almoço num excelente restaurante italiano encontrado à pressa no Yelp decidimos fazer a digestão com calma e descer a 5th Av. a pé até ao Tonic Bar onde iríamos arranjar um lugar ao balcão para assistir ao combate de boxe do ano.

Depois de horas a andar, entre entrar numa ou noutra loja lá chegámos ao bar. 

Quando nos sentamos para pedir uma cerveja estranhámos estarem a ser retiradas as cadeiras do balcão, mas como ainda faltava bastante para a hora do combate nem sequer me ocorreu perguntar nada.

Passado uma hora de lá estarmos chegou uma menina ao pé de nós e perguntou-nos se iríamos ver o combate dissemos que sim ao que ela nos diz: "Para ver o combate são 40$ por pessoa sem consumo, vão ser colocados numa mesa de 4 com outro casal e têm de estar sempre a consumir ok?"

Os nossos pénis murcharam naquele momento.

 

Estupefactos só respondemos que iríamos pensar.

"Aqui tudo se paga, até para ver um combate num bar".

Já não nos apeteceu fazer nada, a cidade ia parar para ver o combate, mesmo os restaurantes. Os que cobravam 25$ já estavam lotados e decidimos ir para o quarto tentar ver por streaming num website qualquer.

Acabamos os dois por adormecer com os telemóveis na mão.

 

Acordámos para o ultimo dia da nossa estadia.

 

Vamos fazer check-out e rezar para que não nos cobrem para guardar as malas.

Não cobraram, no entanto no momento do pagamento os 900$ que apareciam como custos totais no Booking.com (já com taxas incluídas) passaram a 1.100$ pelo que à ultima da hora tivemos de gastar mais 200$ assim como quem não quer a coisa.

Claro que explicámos o sucedido ao recepcionista. Claro que ele limitou-se a encolher os ombros. Claro que pagámos e calamos.

Pedimos recibo (sim porque não nos deram) só para analisar a tarifa vs as taxas e posso-vos dizer que as linhas das taxas turísticas perfaziam a folha A4 inteira.

 

REGRA 9: Por mais orçamentos que façam, para ir a NYC com dinheiros controlados é quase impossível. Além de termos de contar sempre em levar mais 15% para gorjetas temos de estar sempre preparados para estes acontecimentos. E aconteça o que acontecer o que senti desta terra foi que o cliente não tem sempre razão. Eles não precisam de turistas. A menos que sejas alguém com MUITO dinheiro a quem eles vejam que devem bajular claro. Portanto isto é, obviamente que não acho que é uma cidade onde estejas de estar atento porque podes ser enganado por seres turista, é mais, lá paga-se para tudo e há regras para tudo e mesmo que não concordes com elas no final ou fazes ou fazes. Ah uma nota que me esqueci de dizer: andar sempre com identificação VERDADEIRA não vale fotocopia ou em telemóvel. Sei que é chato andar sempre com o passaporte ou cartão do cidadão atrás porque podemos perdê-los, mas lá em qualquer lugar te podem pedir identificação e se não tens não entras, não bebes etc etc.

 

Só tínhamos de estar no aeroporto às 18:30 por isso ainda podíamos aproveitar o dia.

Decidimos ir até à Brooklyn Bridge caminhar um pouco (era domingo havia muita gente na rua).

Acabamos por ir só até meio porque a ponte era demasiado comprida e não estávamos numa de fazer jogging, só queríamos mesmo tirar umas fotos.

Claro que no meio da sessão fotográfica fui logo chamada a atenção por uma policia de que a faixa da esquerda que estava a usar para obter uma melhor fotografia era para bicicletas.

Já cheios de tantas regras, má disposição, má educação vindo de todo o tipo de serviço naquela cidade, perdemos qualquer pica de estar ali e fomos embora.

BB num domingo de manhã

 

REGRA 10: Levem pau de selfie para NYC. Dá muito jeito para conseguir ângulos que cubram a nossa cara e os prédios de tamanhos infindáveis.

 

Na volta aproveitamos para ir aqueles bazares indianos, que nunca entendemos se as peças são verdadeiras ou réplicas, para comprar um chapéu dos Yankees.

 

No caminho aproveitamos para ir almoçar ao Wasabi pois os dólares disponíveis já estava quase a acabar e a seguir lá fomos nós tentar encontrar perto do hotel um bar onde pudéssemos beber uma cerveja barata.

Sorte a nossa eram 15:30, era so esperar 30 minutos e a happy hour na cidade começava.

Perguntámos ao rapaz do hotel que nos disse que na esquina do hotel havia um bar bom e barato.

Quem me dera que tivesse perguntado isso dias antes.

 

O bar é o Holland Bar https://www.yelp.com/biz/holland-bar-new-york.

 

Mal entramos percebemos que apesar de se encontrar bem perto da Times Square aquele era um verdadeiro bar que vemos nos filmes onde parece que existe uma pequena neblina dentro dele que se atravessa pela pouca luz que as janelas deixam entrar. Tinha umas 6 pessoas, todas de volta do balcão, com um aspecto pouco cuidado, ao nosso lado uma senhora com uns 50 anos já visivelmente embriagada mas que conseguia sorrir e falar.Cumprimentou-nos e nós retribuímos.

 

Veio a menina do bar muito simpática que nos pediu o cartão de crédito (foi o 2º local onde nos aconteceu) e nós pedimos 2 budlights que estavam incluídas na happy hour, ou seja ao invés de pagar 6$ pagamos 3$ por cada uma.

Conversa puxa conversa e a senhora do lado conta-nos que vai la todos os dias sozinha porque a sua namorada (que nos mostra a foto no telemóvel) não gosta de beber álcool etc.

Pergunta-nos de onde somos dizemos que de Portugal, chama a rapariga do balcão que muito entusiasmada ouve a história e conversa connosco.

Entra um rapaz, a rapariga do bar puxa de um copo e de uma garrafa de rum e serve-o e cumprimenta-o. Era também cliente habitual.

A senhora do lado diz logo ao amigo que somos de Portugal, ele faz uma festa, grita "Benfica" e fala português connosco.

 

Estáva-nos a saber bem finalmente conseguirmos fazer amizades locais quando chegou a hora de ir para o aeroporto.

Despedimo-nos dos nossos amigos (cujos contactos esqueci-me de pedir).

Chamámos um Uber e lá fomos nós.

 

Fiquei com a sensação de não ter interpretado a cidade.

Senti-me enganada pelo Sex and the City, por tudo o que vi em filmes, por tudo o que não pude ter porque não tenho dinheiro.

Fiquei ainda mais triste por ter escolhido um hotel perto de Times Square.

Se lá voltar um dia vou preferir algo mais para soho, greenwich, prédios mais pequenos, ruas menos barulhentas, procurar bares com "menos aspecto" mas com pessoas "mais simpáticas" e acessíveis. Perguntar mais coisas, querer saber mais coisas e não ter o guião pré-escrito de uma cidade que, por tantas vezes ver, pensava que conhecia.

 

Sai de lá a não querer voltar mais. Digo e direi que me desiludiu esta minha experiência com NYC, mas acima de tudo sei que não foi só culpa da cidade, das pessoas, dos momentos, mas também culpa minha, da minha arrogância turística de pensar que numa grande metrópole, a maior do mundo. iria ser notada e apaparicada.

Da próxima vou procurar ficar num local mais fora da confusão, para que possa conhecer mais locais e menos turistas e talvez eles me mostrem uma perspectiva diferente daquela com que fiquei guardada.

 

Adeus NYC, até um dia quem sabe!

E tu Sexo e a Cidade...guardei-te numa caixa que rotulei com 90's, isto para não te rotular como Fake, mas amo-te mais do que te odei-o, sempre amarei.

 

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