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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

17
Fev17

Ele desapareceu. Devo dizer-lhe tudo o que está entalado? - O reencontro

Ontem enquanto lia os meus rascunhos dei-me de caras com o texto "Ele desapareceu. Devo dizer-lhe tudo o que está entalado?".

 

Na altura decidi não publicá-lo porque achei que relatava uma historia num contexto demasiado especifico para ser compreendido pela maioria dos leitores.

E assim o fiz, não o publiquei.

 

Contudo, aconteceu uma coisa absolutamente fantástica há uns dias atrás e que só faria sentido partilhá-la se partilhasse toda a história.

 

Pois bem, voltando um pouco atrás: após a "ausência" misteriosa deste menino no dia dos meus anos e o seu regresso para Moçambique nunca mais nos falámos.

 

Entretanto e depois de ter percebido pelas publicações do facebook que só tinha desaparecido da minha vida, decidi apagá-lo (no fundo também com a esperança que ele desse conta - QUE TONTINHA!).

 

Então posto isto e já com 5 meses sem falar com ele, já completamente cicatrizada da desilusão, num belo sábado à noite na capital estava a beber uma cerveja com uma amiga eis senão quando......quem vislumbro?

 

ELE!!

Confesso que entrei um pouco em pânico e entrei no primeiro café que me apareceu à frente.

Não porque me quisesse preparar para o confrontar, mas porque não queria de todo cruzar-me com ele, o que àquela distância seria inevitável.

Quando sai do café ele já lá não estava.

 

Mas....quis o destino ou a pequeneza da rua cor-de-rosa, entre encontrões daqui e dali acabámos por nos encontrar frente-a-frente.

 

Ele sorriu imediatamente, eu calmamente perguntei-lhe se estava tudo bem e ele desata a desculpar-se a dizer que tinha chegado no dia anterior e que por isso não tinha dito nada e bla bla bla...

Começa a perguntar-me consecutivamente se estava tudo bem comigo tal não era a necessidade (agora) de saber de mim...ou o nervosismo de saber a m**** que tinha feito.

 

Respondi-lhe calma e serena, com um sorriso, não muito excitada, não muito fria.

Disse-me que ia comprar umas bebidas com os amigos e já voltava a vir ter connosco.

 

Ele voltou, eu é que não.

Sai dali e fui aproveitar a noite para outro sitio, leve e livre, com sensação de história arrumada, de consciência tranquila.

Ainda me enviou uma mensagem a dizer que tinha ido ter ao local, mas eu não estava lá (A SÉRIO QUE PENSAVAS QUE IA SER TÃO BURRA?)

Ainda me mandou outra mensagem a desejar boa noite e a dizer que gostou de me ver.

Ainda mandou outra mensagem no dia seguinte a perguntar "Estás chateada comigo?"

A essa eu tive de responder:

 

Ele:

 

Babe

Estas chateada comigo?

 

Eu:

 

Porque perguntas isso?

 

Ele:

 

Por não termos falado mais

 

Eu:

 

Entao isso quer dizer que estas chateado comigo?

 

Ele:

 

Só me respondes com perguntas.

Não, nunca estive. Se estivesse chateado com alguma coisa nem parava para falar no cais

 

Eu:

 

Para te fazer pensar no que me estas a perguntar! Se desde a ultima vez que nos vimos e tu partiste para Mocambique nunca mais falaste comigo porque essa vontade agora?

 

Ele:

 

Ok, tudo bem...

Desculpa

 

 

E foi isto.

Apesar de ainda me ter conseguido desiludir com o facto de nem se ter tentado justificar, a verdade é que o tempo relativiza tudo.

Não senti absolutamente nada.

Nunca mais o vi.

Nunca mais falei com ele.

E o melhor disto tudo foi que não fiz o que fiz para me vingar ou retribuir-lhe na mesma moeda.

Já tinha ultrapassado há muito aquilo que tinha acontecido, e isso foi o que me deixou mais feliz, ter essa comprovação.