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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

29
Mar17

Ego coleccionador

Tenho um ego que colecciona

Corações famintos de atenção

Na esperança de preencher um vazio

Que vejo de fio a pavio

Ao percorrer a ilusão

De que se continuar a fazê-lo

Não tenha de enfrentar a dura realidade que é

Nem ter vontade até

De procurar melhor.

 

Não é preguiça é desencanto

Que o meu tempo que é tanto

Não me deixa esquecer

Dos corações que encontrei

Mas que nunca coleccionei

Por nunca poder 

 

Trazê-los comigo

Estavam presos!

A passados vincados

De amores interminados

Que não pude combater

 

Outros tantos ainda

Sem mistério ou mentira

Não se esforçaram por mais

Deram-me o mínimo que podiam

Certamente mais não tinham

Mas nunca foram leais

 

À verdade partilhada

Deixaram-me sem fim e sem nada

Como um leão selvagem na jaula

Sem se poder defender

De um ataque que não esperava

Um desprezo que mostrava

Quão insignificante poderia ser

 

O tempo passado com alguém

Que também vem

Como eu a coleccionar

Corações famintos de atenção

Que um dia calhou ser o meu

 

Mesmo assim ao experimentar

O que é participar

Da acção que pratico

Continuo de modo afinco

Não abdico de continuar.

 

By: Podenga