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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

07
Set17

Carta para os cansados

Chega aquele momento que tudo cansa.

Tudo mói.

Tudo é mais uma faca afiada a espetar na paciência. Na motivação de acordar.

 

O sono, ainda que profundo, já não é suficiente.

A palavra carinhosa começa a provocar ódio gratuito e a fazer vir ao de cima o lado lunar que ninguém conhece senão tu.

Toque então, nem pensar. Nunca sem antes primeiramente consentido, mesmo que já o tenho sido noutras alturas.

Abracinhos e beijinhos que nos fazem sentir ainda pior.

Como se não soubéssemos o que estamos a passar...

 

Tudo importa.

Tudo conta quando se está cansado.

 

É como uma porta aberta sem segurança, sem filtro, sem selecção.

Somos invadidos por tudo o que queremos e não queremos e de tão cansados que estamos deixamo-nos ir com a onda.

Descarregamos em que mais amamos, porque esses aguentam.

Agimos politicamente correcto com os desconhecidos, muitas vezes sem conseguir sorrir ou fingir a voz alegre de sempre.

 

De vez em quando, muito raramente, sabe-se lá como, deixamos escapar uma gargalhada, um sorriso, que nos dá alento e nos traz à superfície, mostrando que ainda não nos afundámos ou que ainda somos humanos.

 

Dia após dias vamos procurando bóias às quais nos agarrar para não ficarmos novamente submersos, isolados.

Viagens, ferias, alcool, entre tantos.

 

Algo que motive este "nadar em vão". 

Algo que faça acreditar que estamos em controlo da situação, porque temos um objectivo pelo qual acordarmos todos os dias.

Mas há dias que não dá.

Há outros que vão dando.

E assim se vai passando.