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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

19
Abr17

Amor Crioulo

E aí vem o cheiro a terra molhada

Vem a chuva

Que não molha nem faz nada

E eu

Deixo-me cair nos teus braços

São escassos

Os momentos que temos só nós

 

Tocamo-nos ambos a tremer

Num misto de frio e prazer

Debaixo do coqueiro escondidos

Na florestação densa imensa

Sentimo-nos perdidos

 

Entrelaçados a temperatura aumenta

E a luminosidade desvenda

O teu corpo molhado

Aprecias o meu cabelo amarrado

Por uma liana verde

 

O vento embala as folhas em redor

Permitindo o vislumbre da cor

Do teu rosto 

Castanho tal qual a lama 

Com pingas de suor emana

Um cheiro que me agita

Abre-me a ferida extinta

Relembrando-me da dor

De não te poder levar comigo

Então esqueço e sigo

Beijando-te ainda mais

 

Envolvidos nos sentidos da natureza e nos nossos

Amamo-nos possessos

Pelo desejo comum

De sermos apenas um

Unindo este amor que é fogo

Que arde sem cessar

Faz a humidade aumentar

O nosso calor sustenta

O que o corpo aguenta

Mal conseguimos respirar 

 

Apesar da tormenta

Continuamos abraçados

Com os corações alagados

Da agua do mar

Das ondas que não vemos mas conseguimos escutar

Desde o nosso ninho tropical

 Não damos conta da beleza que nos rodeia

Construimos a nossa teia

Protectora da boca alheia

No meio do paraíso

Alimentados pelo sorriso

Um do outro

 

E bem no pico do climax

O sol abandona-nos

Como que a celebrar o final

Do bem e do mal

Que este encontro compreende

 

Atrás dele vem a lua

Chega para nos avisar

Que está na hora de partir e voltar

À verdadeira vida

De pés no chão

Não temos hipótese senão

Ir em direcção opostas

Virarmos as costas

E seguirmos sem questionar

O que a natureza dita

 

By:Podenga