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A Podenga Portuguesa

Mulher dramática, pensativa, inquieta, feliz e infeliz. Que carrega o peso do mundo nas costas. Que é filha da mãe natureza. Acredita no amor, na empatia, na verdade, na hipótese.

A Podenga Portuguesa

08
Jul16

A Terapia

Decidi criar o blog por terapia. Preciso de escrever. Essa é a razão numero um.

A outra razão é porque no outro dia pesquisei no google "Como saber quando deixar o terapeuta" e não houve nenhuma resposta á minha pergunta. Não, eu não queria uma resposta, na realidade queria apenas sentir que não era a única a sentir-me assim.

Com este blog eu espero que algumas das pessoas que como eu buscam respostas que não existem, aqui se possam sentir acompanhadas. 

 

 

Um à parte-----(se fizer uma pessoa rever-se no que escrevo já tenho uma vitória.Vá, e um "Boa obrigado 'tava mesmo a precisar ler estas coisas". Ok pronto, podem só gostar sem comentar....)-----fim do à parte.

Continuando....

Estava a procurar no google de uma justificação para deixar a minha terapeuta onde estou a apenas 1 mês.

"A querer deixar a terapeuta?? mas 'tás louca? Uma mulher tão culta, tão conhecida, tão recomendada que ainda por cima cobra 100 euros por uma hora de "terapia" ? Mas quem és tu??"

 

Sim, isto era o que a minha consciência me dizia. Na realidade é assim que me sinto quando lá vou. Diminuída.

 

Não gosto de lá ir. Não gosto do sitio, do cheiro, das pessoas que lá vão que são todas estranhas, sem brilho nos olhos, que não cumprimentam quem passa num espaço de 10 m², desviam o olhar, fingem que não estão lá. Só não se escondem por vergonha sabem?

Nem queria falar da empatia que não tive com a terapeuta, porque não gosto de ser banal, mas isto da empatia tem de ser tida em conta.

Ela está a ver a parte mais sagrada de mim (se eu deixar claro, mas se vou lá tentar é para tentar á seria), o "Eu" que nem ás paredes confesso... Tenho de ter empatia pela pessoa. Tenho de olhar para ela e sentir que de certa forma (não sei bem como à primeira vista) ela pode ser um modelo a seguir.

Na realidade não senti.

Mal a vi, o primeiro impacto foi...wooo não diria que esta senhora era terapeuta. Então...cabelo curto pente 2, oculos com muita graduação, com um aspecto cansado e rugoso, esquelética e com tremores.

 

 

Estão a visualizar? Óptimo.

 

 

Até aqui, nada me diz se ela é boa ou má terapeuta, se é simpática ou não, estou só a julgá-la pelo aspecto naqueles 2 segundos em que a minha mente cheia de pré(conceitos) tenta repassar as categorias onde rapidamente encaixo as pessoas que vou vendo à minha frente.

Quando me sentei no gabinete percebi o cheiro a tabaco. Olhei para a decoração, para as entradas de ar, ouvi a musica e olhei para ela.

 

Perguntou-me o que me trouxe ali. Queria poder ter respondido a minha piada do momento "as minhas pernas".AHAHHA ok...

 

Eu em esforço lá fui explicando. Só me apetecia era perguntar-lhe como é possível ela cobrar 150 euros pela primeira consulta?! Mas expliquei.

No meio das perguntas e respostas perguntou-me se dormia bem. Eu disse que não dormia bem, que acordava a meio da noite etc.

Disse-me que poderia estar com uma depressão (ok...).

Perguntou-me se estava disposta a fazer esta viagem de auto-descobrimento. Disse-lhe que sim, porque não? vou tentar á seria, apesar de tudo o que o meu instinto animal me diz sobre isto não me "cheirar" bem, vou tentar.

Passou-me um medicamento. Logo eu, odeio químicos, odeio comprimidos, industria farmacêutica eishhh...

Lá fui embora para casa sempre a pensar, é agora que vou dizer a alguém que realmente não senti a "química". Mas não fui capaz. Não disse a ninguém que não acreditava naquilo. Ficou para mim.

Ansiosa estava eu pela primeira sessão. Vai ser a desforra, pensei eu.